E SE CHÁVEZ NÃO VOLTA?
 

 

O pior cenário

Christian Burgazzi


O que poderia acontecer se a ausência de Chávez se prognostica como definitiva? O objetivo primordial da elite chavista é manter-se no poder, com ou sem Chávez, e fazê-lo da maneira mais legítima possível, a fim de evitar perder o apoio internacional e regional com o qual contou até agora, o qual poderia ocorrer se, ante uma eventual ausência definitiva de Chávez, tentam manter a presidência em outras mãos vermelhas sem convocar novas eleições.



Ante esta eventualidade, a estratégia política do oficialismo dependerá em boa medida da correlação de forças resultante das eleições de 16 de dezembro, não só quanto ao número de Governos (dos estados) que ganhem, senão quais ganhem e quais percam, assim como o número total de votos que somem em nível nacional, em relação aos da oposição.



Se os resultados de 16 de dezembro os favorecem e se em segredo se prognostica a ausência de Chávez a curto ou médio prazo, é provável que o caudilho e os estrategistas vermelhos e cubanos se antecipem aos acontecimentos e convoquem eleições presidenciais em um prazo muito curto, de surpresa e intempestivo, de modo a aproveitar o impulso dos resultados eleitorais favoráveis, enquanto ainda lhes seja possível contar com a poderosa contribuição final de Chávez para controlar as disputas internas e influir na campanha de maneira a assegurar o triunfo do candidato presidencial chamado a substituí-lo, escolhido para garantir a continuidade no poder de sua camarilha, e a sobrevivência das revoluções venezuelana e cubana.



Este poderia ser o pior cenário para a democracia venezuelana se a MUD (Mesa de Unidade Nacional), os partidos democráticos e a sociedade são agarrados fora da base, sem planos nem tempo para reagir de forma adequada, escolher um candidato único e unitário, e desenvolver uma campanha eleitoral com a suficiente organização, coesão, recursos e força para vencer, apesar de todos os abusos e atropelos que o governo e os órgãos que ele controla deslocarão, desde o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) até o TSJ (Tribunal Superior de Justiça), para realizar esta possível jogada.



Ante estas eventuais novas eleições presidenciais o oficialismo e os cubanos farão o impossível para ganhar, e não me refiro à fraude nas mesas ou nas máquinas que a oposição pode controlar e controlou, mas ao uso abusivo do autoritário poder político e econômico que o governo tem aplicado com efetividade e que a oposição não pôde frear e opor-se de forma contundente. Entretanto, mesmo em condições adversas e apesar da desvantagem com que as forças democráticas venezuelanas competem, depois do extraordinário avanço nas eleições presidenciais de 7 de outubro é impossível que um candidato unitário possa perder uma eleição presidencial nos tempos vindouros, contra qualquer candidato diferente de Chávez. A menos que os resultados das eleições de 16 de dezembro (16-D) resultem um desastre para as forças democráticas, por falta de participação dos eleitores, que representam cerca da metade do país e se concentram nos estados mais povoados.



Se perdem-se os governos estratégicos nos estados-chave do país, a situação descrita pode se tornar realmente perigosa para a democracia e para o futuro da Venezuela. De maneira que as eleições de 16-D adquirem uma importância ainda mais relevante ante o cenário de uma eventual ausência definitiva de Chávez, que mudaria por completo o panorama político do país em 2013.



Deve-se votar massivamente nos candidatos unitários em todas as regiões, tanto para conservar os governos conquistados como para ganhar aqueles adicionais que se possa, assim como para somar votos no total nacional, de maneira que a correlação de forças resultante permita começar a reconstrução nacional mais cedo do que tarde. Este seria o nosso melhor cenário.

Tradução: Graça Salgueiro