RECOMENDADO: COLOMBIANOS PELAS FARC!
 

 

As FARC são as únicas favorecidas com as argúcias de “Colombianos pela Paz”, a hipocrisia mútua de Chávez e Santos e as pitorescas declarações do Bispo de Cali



Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido



“Não pensem que somos tão cagões” e “ao cão não o capam duas vezes”, disse Santos ante os meios de comunicação, para desqualificar a cínica e descarada mensagem das FARC após o massacre a sangue frio de três policiais e um militar, que mantinham seqüestrados nas selvas do Caquetá.



Porém, Santos esquece que sua mútua hipocrisia com Chávez só serviu para que as FARC sintam-se mais tranqüilas do outro lado da fronteira e, como citou esta mesma coluna há 15 dias, para que os blocos encabeçados por Timochenko, Márquez e Mauricio tenham passagem franca e segura em três setores definidos, com a cumplicidade do governo venezuelano.



E por acréscimo, como se a dor das famílias dos seqüestrados e a indignação generalizada dos colombianos contra as FARC não tivessem o respectivo eco, apareceu de novo Piedad Córdoba a meter os paus na roda contra o sentimento nacional de repúdio contra as FARC, derivado da forma sinistra, depravada e malévola como brincou com os seqüestrados, cujas vidas é o que menos lhe interessa em troca de conseguir status político para os narco-terroristas, com a anuência de sua questionada ONG mal chamada de Colombianos pela Paz, que considera a morte de Cano como um “assassinato” e o massacre dos seqüestrados como uma morte violenta. Ver para crer!



Como se isto fosse pouco, se atravessou no tema um pitoresco e falante frade católico. Monsenhor Darío Monsalve, Arcebispo de Cali, disse tantas sandices e coisas insensatas em torno da morte de Cano e ao traiçoeiro crime dos seqüestrados no Caquetá, que se poderiam supor vários cenários a respeito de sua inexplicável saída em falso:



Primeiro, que tal sacerdote é ingênuo, o que é improvável, dadas as habilidades e movimentações internas que qualquer padre requer para ser bispo. Não se chega a essa hierarquia sendo submisso e calado, ou como se diz em termos coloquiais, “uma alminha de Deus”.



Segundo, que o reverendo Monsalve é um sonhador idealista, o que é impossível, pois para dirigir uma diocese como a de Cali, não só pela qualidade e quantidade de paróquias como pelos ingressos econômicos que esta significa para a Igreja Católica colombiana, necessita-se de um homem pragmático e com capacidade de cumprir os objetivos superiores e as diretrizes traçadas pela Conferência Episcopal.



Terceiro, que o arcebispo Monsalve anda em outro mundo ou que tem um ego tão elevado quanto o de Santos, o de seu ministro da Defesa, o de Vargas Lleras ou o de Noemí Sanín. Pode haver muita possibilidade, ou talvez um pouco disto, na personalidade publicitária do prelado. E se é assim, o que ele procurava com esse protagonismo de microfone?



Quarto, que Monsenhor Monsalve estava em conversações com Cano ou seus delegados, em provável associação com os auto-denominados “Colombianos pela paz”, em busca do messiânico acordo humanitário para “iniciar a paz na Colômbia”. É muito possível esta hipótese, pois não é segredo para ninguém que Cali, como coração geo-político do Sul-ocidental colombiano, está na mira das FARC. Obviamente, ter contatos com a autoridade máxima eclesiástica dessa cidade, é lucro político-estratégico para os narco-terroristas.



Quinto, que o arcebispo Monsalve opera de má-fé e atua já sabendo de antemão que, após a pressão do acordo humanitário, os terroristas e os cúmplices nacionais e internacionais das FARC só procuram vender gato por lebre, ao conseguir que o governo se sente para falar com eles para que de imediato Correa, Chávez, Dilma, Evo, Ortega e a ditadura cubana lhes dêem embaixadas e os reconheçam como exército revolucionário.



O tempo se encarregará de esclarecer esta confusa e grave dúvida. Talvez, ao decodificar os computadores de Cano. É claro, se Santos não os converter em seu brinquedo pessoal para fazer politicagem barata re-eleitoreira a cada oito dias nos acordos da prosperidade, como já fez com os computadores de Jojoy. Obviamente, resistimos a acreditar que esta hipótese seja certa.



E sexto, que Monsenhor Monsalve está desinformado ou que talvez necessite de um exame psicológico e uma avaliação psiquiátrica, o que é descartável desde todo ponto de vista, tendo em conta que aparentemente exerce o cargo normalmente e desenvolve bem suas funções vitais. Do contrário, seus superiores hierárquicos o teriam relevado e enviado a uma casa de retiro.



Pode ser que Monsenhor Monsalve fale assim devido a que desconheça o Plano Estratégico das FARC e, portanto, tem uma leitura diferente da paz concebida pelas FARC e seus cúmplices, segundo a qual, só haverá confraternidade e convivência pacífica na Colômbia quando os terroristas tomarem o poder político pela força, e o Partido Comunista governar o país, enquanto que os acordos humanitários, os armistícios, as anistias, as zonas despejadas e as conversações são só etapas para chegar ao objetivo final dentro do esquema de guerra revolucionária que estabeleceram.



Poderia ser, também, que Monsenhor Monsalve acredita de boa-fé que, por ele ser um bispo, pastor de Cristo, os terroristas vão se arrepender e vão trocar Marx pela Bíblia, ou o terrorismo contra a população civil pelo abandono das armas e a submissão à justiça. Oxalá que isto seja assim...



Não obstante, é inaceitável que um sacerdote de seu nível acadêmico e intelectual, e da suposta formação estrutural que deve ter em torno à vida política colombiana em razão de seu nível hierárquico eclesial, utilize os meios de comunicação para dizer tantas e tão estultas sandices, tais como que a morte de Cano é um golpe à possibilidade de diálogo, como se ele fosse o único terrorista com quem se pode falar, ou que Cano era um pobre homem velho, cego e inválido, ou que a guerra é entre o governo e as FARC, ou que não está claro o massacre dos deputados do Valle, em que pese que o país e o mundo sabem que foi perpetrado por ordem de Cano, etc.



Esquece-se o loquaz Bispo de Cali que esse anjinho envelhecido e cego, cognome Alfonso Cano, é o mesmo narco-terrorista que sem peso de consciência ordenou assassinar seu antecessor, o também polêmico arcebispo Isaías Duarte Cancino e que, além disso, Cano ordenou massacrar uns indígenas Awa em Nariño, ou que entre seus milhares de crimes ordenou assassinar 40 guerrilheiros das frentes sob seu comando, os quais comenta-se que “cometeram faltas” contra sua ortodoxa visão terrorista da vida. Será que para o bispo Monsalve essas vítimas não são tão importantes quanto Cano?



Ou que o “sofrido e indefeso Cano” foi o mesmo bandido que, para evitar sua captura, ordenou centenas de ataques contra a população civil para desviar a atenção das tropas e, ao mesmo tempo, dispôs a colocação de milhares de minas “quebra-pata” em Tolima, Valle, Cuaca, Huila e Nariño, cujo resultado são centenas de soldados inválidos sem pernas, sem braços, sem olhos, sem mãos, etc.? Valeria a pena que este pastor de Deus não justificasse mais Cano chamando-o de “lutador”, senão que, como missionário de Jesus no planeta, visitasse o Batalhão de Saúde ou o Hospital Militar de Bogotá, e evidenciasse o dano que esse criminoso fez à Colômbia.



Por incompreensíveis razões, Monsenhor Monsalve não só questiona o governo nacional por “declarar a pena de morte” contra os cabeças do grupo terrorista, senão que põe em dúvida a autoria intelectual de seu defendido Alfonso Cano no seqüestro e posterior massacre de onze deputados do Valle. Para completar, atreveu-se a afirmar que está em desacordo com a passeata contra as FARC no próximo 6 de dezembro, porque essa mesma passeata não põe o governo que representa o resto dos colombianos no mesmo nível dos narco-terroristas. O que o arcebispo Monsalve pretende conseguir com esta agressão verbal e sintomática contra os milhões de colombianos que temos padecido a depredação narco-terrorista das FARC?



Com esta conduta inexplicável como pastor de Deus na terra, o sacerdote Monsalve, investido de Bispo, ofende ao nosso Criador, à memória das vítimas dessa matança e às famílias deles, que certamente são fiéis de suas paróquias. Recomendação: que conecte a língua com o cérebro. Espera-se muito mais discrição, sensatez e lealdade de um bispo com sua comunidade.



Esse procedimento exibicionista e populista ante os meios de comunicação, com evidentes ânsias de protagonismo e de justificar a farsa fariana do acordo humanitário com a manipulação da dor das vítimas, não só vulnera a disciplina estrutural da Igreja Católica, instituição à qual os presidentes de turno deram absoluta confiança para mediar em aproximações com os terroristas, senão que também deixa dúvidas acerca da presumível seriedade e imparcialidade que possa ter o bispo de Cali frente à dor dos colombianos que perderam tudo por culpa do narco-terrorismo comunista.



Uma coisa é a missão evangélica e cristã de buscar a paz e as demais virtudes católicas, e outra bem diferente é tomar partido, ou pelo menos exteriorizar “compreensões” ao redor de um tema tão delicado, com posições pessoais que, com certeza, não correspondem ao pensamento e aos critérios da Conferência Episcopal.



Os católicos esperamos muito mais da doutrina da Igreja e dos bispos, que são os que dirigem os sacerdotes de nossas paróquias. Em um ambiente sócio-político como o atual, carregado de uma elevada crise de valores, esperar-se-iam ocupações específicas da Igreja Católica na defesa da família, da evangelização permanente antes que cheguem as seitas protestantes para ficar com os fiéis, em combater os aberrantes casos de pedofilia e homossexualismo dentro das paróquias que amiúde são revelados, em induzir os fiéis a não tomar o caminho da violência e muito mais.



Sapateiro aos teus sapatos. Basta cumprir o convite do Libertador Simón Bolívar em seu último proclama. Os governantes a consolidar a união e a harmonia, os militares a defender as garantias sociais e os sacerdotes a evangelizar em nome de Jesus Cristo, sem justificar os terroristas que falseiam bandeiras sociais, nem se intrometer com opiniões linguarudas tais como, que o bispo de Cali se opõe à Justiça Penal Militar e o Foro Militar, e o que é mais grave: a deixar a sensação de que a baixa de Cano foi um assassinato traiçoeiro.



A lógica da guerra é outra. No momento de sua morte Alfonso Cano estava armado com uma pistola enquanto que o soldado que lhe deu baixa tinha um fuzil e o antecipou. Porém, se Cano tivesse tido uma posição tática mais vantajosa, com certeza teria matado o soldado e até teria escapado do cerco, apesar de ser “um pobre velhinho, cego e sem nadinha para comer” mas que, na realidade, dirigia desde sua guarida a mais de 15.000 terroristas empenhados em assassinar a vida em primavera na Colômbia.



Se Cano tivesse matado o soldado e tivesse escapado, Monsenhor Monsalve teria gerado a mesma expressão veemente de ira midiática e teria defendido com igual veemência a vida do humilde soldado, a dor de seus familiares, e estaria criticando as FARC porque não libertaram os seqüestrados ou porque massacraram a sangue frio os quatro membros da Força Pública no Caquetá?



Os fatos indicam o contrário. Nessa ordem de idéias, a hipocrisia mútua de Chávez-Santos, as argúcias dos auto-denominados Colombianos pela Paz e as pitorescas declarações de Monsenhor Monsalve só favorecem às FARC, ao seu Plano Estratégico e à sua sinistra intencionalidade de bajular a Colômbia com a falácia de um acordo humanitário destinado a prolongar a guerra contra a Colômbia, não a concretizar a tão almejada paz.



A solução é simples: a Colômbia não necessita de monsenhores nem sacerdotes boquirrotos, nem de auto-denominados pacifistas tratando de legitimar as FARC. Necessita de cidadãos honestos com capacidade de opinião que encarem os terroristas e os forcem a libertar todos os seqüestrados sem nenhuma contra-proposta, que se entreguem à justiça e vão à prisão pelos delitos cometidos, e que o partido político que os apadrinha (o qual na realidade representam) e as organizações não-governamentais que os acobertam, reparem todas as vítimas de suas atrocidades. Nem mais, nem menos.



E para encerrar, retomemos as frases do veleidoso Presidente Santos: “Não pensem que somos tão cagões” e “ao cão não o capam duas vezes”.



Analista de assuntos estratégicos - www.luisvillamarin.com



Tradução: Graça Salgueiro