CONLUIO SANTO/CHÁVEZ
 

 

Santos diz que “combinou com Chávez” não ouvir os interessados em “semear a cizânia”



El Mundo, Medellín



O presidente da Colômbia defendeu desta maneira, pela segunda vez em vinte e quatro horas, o processo de normalização diplomática de Bogotá com Caracas e Quito que empreendeu há um ano.



O presidente Juan Manuel Santos disse nesta quarta-feira que combinou com seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, fazer caso omisso aos que desde um e outro país querem danar as relações bilaterais plantando a cizânia. “O processo de melhorar as relações com a Venezuela certamente tem inimigo, inimigos na Venezuela e inimigos na Colômbia que vão querer semear a discórdia”, denunciou Santos durante um ato público em Apartadó, localidade do Urabá antioquenho.



São inimigos que também “vão querer desviar a intenção dos dois Governos de trabalhar de forma mancomunada para enfrentar os problemas comuns”, acrescentou o presidente colombiano, e apontou que chegou a um acordo com Chávez de “não prestar-lhes atenção”. “O desafio é não se deixar desviar e não se deixar, como dissemos ao presidente Chávez, descarrilar e seguirmos o rumo”, apontou Santos, que viajou a Apartadó para entregar títulos de terras a 184 famílias da zona bananeira de Urabá, com o qual seu Governo elevou para 361.000 o número de hectares que entregou em um ano.



O governante assumiu em agosto de 2010, em meio de uma crise histórica com a Venezuela e outra em vias de lenta recuperação com o Equador, em ambos os casos, desatados durante os dois governos do agora ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Na terça-feira passada Santos insistiu ante um auditório de empresários em Ciudad de México, para onde viajou um dia antes em visita oficial, em que a normalização da Colômbia com a Venezuela tem inimigos. Segundo ele, “é importante que tenhamos umas relações cordiais”. Por isso, “iniciamos com o presidente Hugo Chávez uma espécie de processo para estabelecer confiança mútua. Não foi um processo fácil, porque há muitos inimigos de lado a lado para que essa relação prospere”, acrescentou Santos.



O Executivo de Santos procurou desativar uma nascente polêmica que partiu de declarações jornalísticas oferecidas na segunda-feira passada pelo Comandante das Forças Militares, o Almirante Édgar Cely. O chefe militar afirmou então que guerrilheiros das FARC e do ELN continuam em território venezuelano. A afirmação foi matizada horas depois pelo ministro de Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, para quem Cely esclareceu o contexto em que falou de tal presença terrorista do outro lado da fronteira. “Posso dizer que não há santuários nem esconderijos para que os criminosos e terroristas das FARC se escondam em nenhuma parte da vizinhança colombiana”, afirmou Rivera.



Tradução: Graça Salgueiro