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SERGIO SILVA COUTINHO
Há quase uma década, tive a oportunidade de conhecer os pais de Felipe Silva Caffé, cidadão brasileiro que fora, junto com sua namorada, torturado e morto na região de Embu Guaçu – SP. Ele, morto com um tiro na nuca. Ela, após ser violentada durante vários dias e ininterruptamente, morta a golpes de facão. Cometeu crime o chefe da quadrilha, “Champinha”? Não. Cometeu ato infracional. Era menor.
De tempos em tempos, e cada vez mais frequentemente, volta aos noticiários a questão da redução da maioridade penal. Nesta semana, voltou novamente, pela execução de Victor Hugo Deppman, outro jovem de 19 anos executado não por criminoso, mas por “menor”.
Ao ver o início das campanhas, queria eu ter a certeza das dezenas da Mega-Sena – acumulada ou não – como teria da opinião dos nossos ditos “governantes”. Basta abrir os jornais. Desde aquela época, ouvimos que “não vai reduzir a criminalidade” (abundam as vidências); “não podemos mudar a lei no calor dos fatos” – essa é emblemática – os fatos esfriam, e outro menor tortura, estupra e mata sem cometer crime; “não podemos mudar a lei no calor dos fatos” – e o círculo vicioso e viciado permanece, enquanto nossos legisladores e “detentores de opinião” mantêm seus seguranças e seus carros blindados, para si e suas famílias.
Nosso país é um país de exceções. Duas matérias que ocuparam os noticiários desta semana mostram: a campanha contra a aprovação da PEC 37, que tiraria do Ministério Público o poder de investigar, o que ocorre apenas no Quênia, Uganda e Indonésia. A outra, justamente da maioridade penal, mostra que apenas três países, um deles o Brasil, a mantém aos 18 anos: Peru e Colômbia.
Participei ativamente das campanhas contra o desarmamento civil, que tiveram início há quase quinze anos, sempre mantendo o foco do direito a legítima defesa por meios efetivos, e do direito de se opor a governos totalitários (“não confie em um governo que não confia em seus cidadãos armados”).
No referendo de 2005, antes do qual os hoplófobos já cantavam vitória, venceu o direito à venda de armas. O povo brasileiro, em vontade soberana das urnas, escolheu. Assim como escolhe seus governantes. “Habemus fraudem, postulo sui defensionem”, desculpem o latim.
Abordo a questão do desarmamento por uma questão de “coincidência”. Normalmente, os mesmos que são a favor do desarmamento civil são contra a redução da maioridade penal, são contra o poder de investigar do MP, são a favor do controle da imprensa, são a favor de censurar a Internet e outras medidas antidemocráticas suspeitas.
Depois de muita relutância, e por força da propaganda, conversando com colegas a respeito, decidi assistir ao seriado norte americano “walking dead”, que mostra os EUA após um estranho apocalipse zumbi. Metade ou mais da população morreu ou se tornou zumbi, depois de ser atacado por um dos “errantes”. A população brasileira está em uma situação parecida com os atores e figurantes do seriado.
Difícil é situar os nascidos em tupiniquins terras no seriado. Podemos imaginar algumas cenas.
Numa delas, a contaminação começaria na capital federal. Resbaldar-no-íamos assistindo à TV Senado ou TV Câmara (após ter tirado as crianças da sala, poupando-as das cenas de sacanagem) e vendo “errantes” devorando os legisladores (cuidado, não devorem a que serve cafezinho, lembrando a piada). Nessa, sobrariam poucos. Os que nem os zumbis tiveram coragem de encarar.
Outra delas é uma horda de “errantes” que assistem a big brother e/ou que sobrevivem de bolsas, fazendo uma passeata de branco nas ruas, pedindo “paix”, enquanto aproveitadores já surrupiaram seus votos e sua força vital e se esbaldam com o erário. Enquanto isso, os detentores das armas – bandidos e principalmente menores – atiram nas cabeças dos zumbis, que não reagem (orientação da polícia).
Terceira cena. Bandidos e menores zumbis devoram e matam cidadãos, mas não podemos reagir, pois os integrantes das comissões de direitos humanos os protegem. Estranhamente, sobreviveram e falam (muito) após serem mordidos (depois descobrem que foram mordidos há décadas). Enquanto isso, nós, minoria de cidadãos pensantes, somos acuados. Cidadãos verdadeiramente pensantes são poucos. E os pensantes armados, menos ainda.
Talvez seja pela terceira cena que o seriado não focou o Brasil. Basta abrir o jornal.

- Comandante, ainda bem que você veio. Ontem me disseram que você não queria mais dar a entrevista.
- É, mas pensei melhor. Se eu prometi, está prometido. Alguém tem que manter a palavra neste país. Mas isso não impede, sem querer ofender ninguém, que eu ache esta entrevista uma palhaçada.
- Não entendi.
- Não vai sair nada do que eu disser, a imprensa está toda no bolso do governo, devendo à Previdência e à Receita e mamando as verbas de publicidade. A imprensa está aí para ajudar no fingimento de que há liberdade, vontade popular, opinião pública e essas besteiras feitas para declamação. Isto mesmo que eu acabo de dizer quero ver sair, não sai. Está gravando?
- Estou.
- Você está perdendo seu tempo, não vai sair nada. Grave aí que eu acho que essa democracia é para as negas deles, o que eles fazem é entrolhar todo mundo e fazer tudo da veneta deles. Você viu a do ensino? Agora é obrigatório botar o filho na escola aos quatro anos! A quem que eles perguntaram? Eles não conseguem dar conta nem de metade dos que já têm direito e inventam mais? Estamos cheios de grandes escolas públicas para todos, todo mundo na escola de barriga cheia desde os quatro anos, que beleza! Eu não sou otário, eu não sou otário! Eu queria que eles compreendessem que eu não sou otário!
- Eu pretendia chegar a assuntos como esse, sei que você tem opiniões muito firmes. Mas minha primeira pergunta ia ser outra, mais pessoal.
- Ah, desculpe, eu às vezes me exalto um pouco. Pode perguntar o que você quiser. Se eu contar coisas pessoais, também não sai, eu não sou pervertido, a imprensa só se interessa quando é a vida pessoal dos pervertidos. Não vai sair nada, mas eu respondo a qualquer pergunta.
- Bem, a pergunta é uma curiosidade minha. Frequentamos este mesmo boteco há não sei quantos anos e nunca vi você chegar dando risada sozinho, como vi hoje, na hora em que você estava descendo da sua famosa bicicleta elétrica. Dá para dizer qual foi a razão?
- Dá, eu não escondo nada. Não era riso de satisfação, nem de felicidade. Era uma risada mórbida que deu para me atacar de uns tempos para cá, uma espécie de humor negro. Eu estava me lembrando de um comercial. Não sei do que era, só me lembro da cena. Era um casal fazendo um piquenique romântico na Lagoa à noite, sentadinho com um pano de mesa estendido, luz de velas, cestinha de comida, parecia uma aquarela campestre. Aí eu fiquei pensando e me deu uma crise desse riso mórbido. E, na hora de minha chegada, não sei por quê, me lembrei de novo. Sempre que eu lembro, rio novamente, é incoercível. Piquenique na Lagoa é demais, não é, não?
- Demais como?
- Você não entendeu? Piquenique na Lagoa, piquenique na Lagoa! Só pode ser Walt Disney, e dos anos cinquenta! Quando o casal tivesse acabado de estender a toalha, já não ia ter mais cestinha, nem garrafinha, nem vela, nem piquenique nenhum! Seja sincero e realista e me responda quantos segundos você daria para um casal começar um piquenique à noite na Lagoa e o piquenique ser todo comido e possivelmente o casal também. Dou noventa segundos, mas ganha quem der um minuto. Aí eu fico pensando no que poderia acontecer a esse casal e o piquenique deles e tenho essas crises de riso, é tudo humor negro mesmo. Uns dois dimenores liquidavam tudo numa boa.
- Você tem uma birra com os menores, não tem?
- Eu não, eu só sou contra o que eu vou lhe figurar. Eu sou João Narigolé, traficante que de vez em quando precisa de outros serviços, notadamente os que envolvem dar cabo de alguém. Aí, quem é que eu chamo para fazer o serviço? Vou ao banco de dados de menores pistoleiros? Deve haver vários bancos de dados desse tipo, é capaz até de já ter no Facebook. Vou lá, escolho um, ofereço uma graninha e ele faz a execução. Se for preso, não pega nada e recebe a grana pelo serviço. Se me dedurar, sabe que eu posso mandar outro dimenor para rechear de azeitonas a cabeça dele e assim por diante, é um esquema perfeito. O dimenor é um grande patrimônio da criminalidade nacional.
- Então você é a favor da diminuição da maioridade penal.
- Eu não! Não distorça minhas palavras! A favor da diminuição geral, não, cada caso é um caso! Eu só tenho propostas sérias e eficazes, esse negócio de fixar idades com base em invencionices psicológicas não resolve nada. Eu sou a favor de uma coisa muito simples: teve idade para apontar a arma e dar o tiro, tem idade para ir em cana. Não é simples? É a coisa mais óbvia para qualquer um e somente os intelectuais é que não concordam, porque as soluções simples dão desemprego para eles, tudo aqui é em função do emprego.
- Você não acha que a responsabilidade penal do menor?
- Ninguém mais é responsável por nada! Isso era antigamente, agora todo mundo é vítima e qualquer sacanagem que apronte recebe um nome artístico, dado pelos psiquiatras! Um nome artístico e uma bolinha e está tudo resolvido, a culpa não é de ninguém, é da síndrome! A culpa não é dele, é das condições socioeconômicas! A culpa não é dela, é dos traumas de infância! Ninguém tem mais culpa de nada, ninguém fica preso, ninguém paga do próprio bolso as multas às empresas, ninguém é responsável por nenhum desastre, todo mundo rouba e mata, há muito tempo que isto é uma esculhambação! O que nós precisamos é de Robespierre! Nada de faxina! Para quem propina, rapina e assassina, o correto é guilhotina! Quero ver isso sair no jornal!
(RETIRADA DO INTERJORNAL – O GLOBO ONLINE)

A Casa de Amparo Pró-Vida São Frei Galvão recebeu ontem, dia 04/03/2013, às 11h, a visita da Dra. Márcia Araújo Pinto Lessa, Promotora de Justiça de Nilópolis, e das assistentes sociais Geane Pierre e Fátima Matos.
Esclareço que a Casa de Amparo Pró-Vida São Frei Galvão é uma instituição católica beneficente que tem como objetivo defender a vida da mulher grávida e do bebê no ventre materno. Sua missão principal é ajudar gestantes vítimas de violência doméstica ou risco social. Na Casa de Amparo São Frei Galvão, tais mulheres encontram abrigo seguro, recuperam a auto-estima, e voltam a sentir esperança, grande virtude cristã. A Casa conta com doações espontâneas de pessoas de boa vontade e com o trabalho voluntário de profissionais de diversas áreas.
Prosseguindo o relato: a Promotora e as assistentes sociais foram recebidas pela gestante Eloá Gonçalves, grávida de oito meses, a quem informaram que fariam uma fiscalização e a quem, na verdade, interrogaram.
Em dado momento durante a visita, elas pediram à gestante para dirigir-se ao portão da Casa para pegar uma bolsa com o motorista do carro. A gestante o fez e, ao retornar com a bolsa, surpreendeu-se, pois viu que estavam tirando fotos da Casa.
Ao chegarem à cozinha, pediram à gestante para pegar a chave para abrir os armários, e fotografaram. Dirigiram-se à área onde são oferecidos cursos de Corte e Costura, Overloque e Colarete, no momento em reforma, e também fotografaram.
Cerca de uma hora mais tarde, eu, Maria das Dores Hipólito Pires, Presidente da Casa de Amparo Pró-Vida São Frei Galvão, cheguei ao local e vi que a gestante Eloá estava sendo interrogada. Logo a seguir, também fui interrogada.
Perguntaram-me a respeito dos recursos materiais e humanos para a manutenção da Casa: quem pagava o aluguel; quem fazia as doações; se eu tinha em mãos o Livro Caixa; se havia profissionais como psicólogo/a, assistente social, cozinheira, nutricionista e segurança, e se havia carro com motorista.
Também fui indagada sobre alguns cartazes que mostram formas de aborto e se já houve mãe querendo entregar o filho para adoção.
Pediram-me cópia do Estatuto e da Ata, do Programa de Trabalho e do Livro Caixa. Eu apenas tinha uma fotocópia da Ata. Comprometi-me, então, a providenciar as demais fotocópias.
Ao final, a Promotora disse-me que a Casa nem deveria existir e que para que possa continuar funcionando, precisamos cumprir todas as exigências. Ela também disse que a partir daquele momento a Casa não poderia receber mais ninguém, pois estava sendo interditada.
Fui convocada a comparecer a uma Audiência no dia 30/04/2013, às 10h30, ao Fórum da Promotoria de Violência Doméstica, sala 308.
Disse a Promotora: “Quanto à gestante Elóa, ela poderá ficar na Casa até o dia 30/04/2013. Procure a família ou algum parente dela, pois esta Casa não pode funcionar como Amparo. Vocês podem entregar enxovais, mas não podem abrigar mulheres, até que as exigências sejam cumpridas”.
Fomos expressamente proibidos de recebermos gestantes menores de idade, mesmo que tenham sido encaminhadas por órgãos públicos.
Não me foi apresentado qualquer pedido para notificação ou fiscalização tampouco me solicitaram permissão para fazer as fotos ou abrir os armários. Não me pediram para assinar qualquer documento. Todas as exigências foram feitas apenas verbalmente.
Peço que, por favor, me oriente quanto ao modo como devo proceder.
Paz e Bem.
Atenciosamente,
Maria das Dores Hipólito Pires (Doris Hipólito) Fundadora da Casa de Amparo Pró-Vida São Frei Galvão

Foto: visita de Elba Ramalho à Casa de Amparo
D. Doris já foi anteriormente ameaçada de morte, veja aqui
VEJA ACIMA VÍDEO DE D. DORIS EXPLICANDO O OCORRIDO