VW XIII - REPRESENTAÇÃO EXTERNA
 

 

VW XIII - REPRESENTAÇÃO EXTERNA

Jacy de Souza Mendonça



26/03/2019



Mário Garnero, ao tempo em que foi Diretor de RH da VW, indicou-me para membro do Conselho Fiscal da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), à qual fiquei ligado desde então pouco depois integrei sua Diretoria, e Sauer apontou-me como candidato à Presidência na oportunidade em que cabia à VW ocupar o cargo.

Como todo agrupamento de empresários, tem esse suas naturais dificuldades. Todos os participantes têm experiência, são talentosos, ambiciosos, do que decorre inevitável disputa interna.

A gestão André Beer e a minha, em especial, foram dificultadas pela situação política. Vivia o Brasil processo inflacionário assustador. Com a intenção de combatê-lo, sucediam-se Ministros da Fazenda com ideias cada vez mais estapafúrdias.  Em consequência, esse era o tema que nos ocupava todos os dias. Controle e congelamento de preços foram utilizados como terapia, o que, na verdade, só agravava o problema. Burocratas sem nenhuma responsabilidade pelas empresas decidiam sobre o preço de seus produtos, chegando a forçá-las a vender com prejuízo. Mensalmente, os representantes de nossas associadas registravam o percentual de aumento de que necessitavam. Havia quem solicitasse valor correspondente exatamente à necessidade, quem jogasse a pretensão nas nuvens, na certeza de que receberia menos, e até quem pretendesse aproveitar-se da oportunidade para lograr preço competitivo em relação às concorrentes. Não era muito difícil descobrir quem estava blefando, mas éramos obrigados a registrar o pedido como fora feito e levá-lo ao CIP*. De parte do governo, a situação era ainda pior. Os burocratas não aceitavam percentuais de aumento de preços diferenciados por empresas e por isso quem precisava mais recebia menos e quem precisava menos recebia mais... tudo inquestionável, em nome da lei, como gesto necessário ao combate à inflação quando, na verdade só contribuía para aumentá-la. Aproveitamos a proclamação da Constituição de 1988 para defender a tese de que ali se afirmava a livre iniciativa, o livre mercado, a liberdade econômica, não restando mais lugar para o famigerado CIP com seu controle de preços. Foi um desafogo.

A FIESP estava em fase de renovação da Diretoria e, na chapa oficial, não constava a ANFAVEA nem outra entidade de empresas de capital estrangeiro. Em razão de meu protesto, fui incluído na chapa, eleito e encarregado por Mário Amato de fundar e dirigir, na FIESP, o Grupo das Empresas Brasileiras de Capital Estrangeiro. Uma turma extraordinária. No início, dela participavam os próprios Presidentes das Empresas. Era época da Constituinte e da minuta em discussão constavam artigos que distinguiam empresas nacionais de estrangeiras, criando privilégios para as primeiras. Lutamos contra isso. Contratamos uma economista para redigir um livro que revelava a gigantesca contribuição do capital estrangeiro à economia do País. Participamos de reuniões com os constituintes e terminamos por fazer vitoriosa a nossa tese: são todas empresas brasileiras, o que pode distingui-las é apenas a origem do capital, sem que isso repercuta em seus direitos e deveres.



*NOTA DO EDITOR: Conselho Interministerial de Preços, cuja função era controlar todos os preços no mercado.