O GRANDE FRACASSO DO CIRCO
 

 

Caso de fake news cultural



Ipojuca Pontes



     Na cultura oficial brasileira das ultimas décadas, financiada com o dinheiro público depenado do bolso do contribuinte indefeso, prevalece uma espécie de desvio degenerescente que fere a alma da Nação. A coisa perturba: de um lado, há a realidade concreta, na qual se ordena a existência humana, e há, por outro lado, o culto de uma realidade utópica, falsa e interpretativa, dissociada da vontade, da ação e do pensamento do homem comum. Trata-se de um desvio em permanente processo de ebulição, orquestrado por grupos e instituições ideologicamente engajados que ambicionam impor à sociedade sua "visão progressista e transformadora", na pretensão de criar um "novo senso comum" a vigorar em hipotético "Estado Ampliado", sob o controle do "Moderno Príncipe" - o partido totalitário proposto pelo corcunda moral (e físico) Antonio Gramsci.   



     Digamos assim: na dura prática das coisas, a "Nova Realidade", programada pelos ativistas da cultura oficial, vai para um lado - enquanto a realidade concreta vivida pelo conjunto da sociedade, erguida em cima de valores e princípios tradicionais, vai para outro.



    Melhor ainda: enquanto a realidade da cultura oficial, tramada nos sujos corredores da ONU terceiromundista, dá coices para estabelecer como natural o casamento gay, a prática do aborto, a descriminalização da droga, o agnosticismo, a crença fanática no efeito estufa e no aquecimento global, ambos desmoralizados por centenas de cientistas não envolvidos com o rendoso terror ambientalista - a genuína realidade cultural na qual navega o brasileiro, em suas distintas faces, se manifesta, bem ao contrário, na crença em Deus, na força da instituição familiar e, sobretudo, no valor da Pátria em oposição ao globalismo multilateralista, devorador do Estado-Nação.



      Dado importante: seria impossível fincar as bases da subversiva "realidade transformadora" (articulada para inocular o vírus do "Estado Ampliado") sem a total adesão da mídia - em particular, do jornal, do rádio e da televisão.



     (Convém assinalar que tal ação midiática, denunciada por Donald Trump como um fábrica de "fake news" que tem por objetivo impedi-lo de exercer a presidência dos Estados Unidos, é a mesma que quer implantar no mundo a "Nova Realidade" - no fundo, como se sabe, uma variante do velho e disfarçado marxismo bolchevista). 



     Aqui no Brasil, exemplo perfeito de como se opera o "fake news" no campo cultural encontra-se no lançamento de "O Grande Circo Místico", do neomarxista Cacá Diegues, considerado um fenômeno pela mídia amestrada. No oba-oba, um acólito de O Globo escreveu: "Sem uma cena a mais ou a menos, &lsquoO grande Circo Místico', de Cacá Diegues, fará história no cinema nacional. Trata-se de um  filme do qual você não desprega os olhos do primeiro ao último minuto. Se fosse um Bonequinho aplaudiria de pé. Um elenco maravilhoso e uma fotografia deslumbrante ajudam a assegurar lugar para &lsquoO Grande Circo Místico" na lista brasileira dos candidatos ao Oscar do Filme Estrangeiro". É pouco ou quer mais?



     Outro jornal vai longe: "Diegues é um Fellini aumentado pelo surrealismo latino-americano". O "Le Monde", jornal comunista francês, curiosamente, põe, de leve, o dedo na ferida: "Cinco gerações se sucedem na tela só que, dada a relativa brevidade do filme, não nos deixa tempo para as conhecer". 



     Mas a mentira cultural tem pernas curtas. Lançado com estardalhaço pela mídia "companheira" e contando com o apoio febril do ultra desacreditado Jornal Nacional, da Rede Globo, a fita fracassou miseravelmente: depois de 15 dias, a exibição do "Circo" ficou reduzida a três salas periféricas, em projeção de poucas sessões.



     O mesmo acólito que vaticinou no Globo que o espectador "não despregaria os olhos" da obra de Diegues, depois do fracasso, escreveu: "Um dos melhores filmes brasileiros das últimas décadas, &lsquoO Grande Circo Místico', de Cacá Diegues, teve bilheteria de pouco mais de 48 mil desde sua estréia, em novembro. Não paga a produção. Enquanto isso, a porcaria de &lsquoAquaman' levou aos cinemas 1,6 milhão de brasileiros num fim de semana. O fato é que &lsquoAquaman' foi exibido em 750 salas, "O Grande Circo", em apenas 19. Não dá para culpar o estimado público".



     (A observação do acólito global é rasa. "Aquaman" poderia ter sido lançado em 800 salas e sair de cartaz depois da primeira semana com menos de 300 mil espectadores, como já ocorreu).



     Conheço fiascos maiores do "Sinhozinho" do cinema, mas fui conferir nas "cartas dos leitores" as razões pelas quais os brasileiros repudiaram "O Circo". Fiquei espantado. Dezenas de cartas avacalhavam a fita, algumas em termos grosseiros. Para poupar espaço, transcrevo três delas, amenas:



     - Jamais recomendaria este filme para um amigo assistir é preconceituoso, sexista, roteiro trôpego, além de mal dirigido - Walter de Oliveira, 21/12/2018.



     - Assisti e digo que até hoje foi um dos piores filmes que vi. Nada recomendado para crianças e pouco tem da arte belíssima dos circos. Péssimo filme em todos os sentidos - Hermes Novakoski, 06/12/2018.



     - Muito ruim. Não tem magia, alegria circense. Parece que fiquei 10 horas assistindo àquele amontoado de cenas grotescas. Não percam tempo, não vale sair de casa!!! ZERO!! - Kátia Labouré, 22/11/2018.



     Eis o fato inquestionável: "O Circo" de Diegues, que custou em torno de US$ 6 milhões, foi recusado pela turma de Hollywood que escolhe os concorrentes para disputar o Oscar do filme estrangeiro. Dessa vez, entrou gente da Colômbia, Cazaquistão, Líbano, México, Coreia do Sul etc. - mas Diegues, que já tinha tentado sete vezes entrar com outros filmes na festa de Hollywood, foi descartado, pois ninguém por lá encontrou qualquer mérito na fita milionária. Foi um vexame atrás do outro. Antes, o júri de Cannes já tinha recusado o filme, mas como a patota francesa encara Diegues como "cineasta de prestígio", exibiram-no fora da competição.



     (De resto, lembro ao leitor que o grande Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro contra a vontade do Itamaraty, sustentava que "Cacá não é do ramo" (cinematográfico), ao tempo em que Luis Sérgio Person, admirável cineasta, garantia que o alagoano "não tem um só fotograma de talento". Quanto a mim, penso que Diegues, agora imortal da ABL ("homem certo no lugar certo"), deveria concorrer ao Prêmio Nobel concedido anualmente pela Academia Real das Ciências da Suécia. Por que não?).



     Como escrevi nos meus livros "Politicamente Corretíssimos" e a "Era Lula - Crônica de um desastre  anunciado" (publicados em 2003 e 2006, respectivamente), a principal consequência da &lsquohegemonia"  comunista em todos os domínios da Nação foi o completo aniquilamento da genuína cultura brasileira. Com efeito, uma gigantesca quadrilha de intelectuais dissimulados, pseudos acadêmicos e falsos artistas se apossou das universidades, escolas, editoras, museus, mídias e do universo das artes, de modo que tais espaços de difusão do conhecimento viram-se reduzidos ao nível do mais baixo proselitismo político-ideológico. De quebra, o país apodreceu moralmente e a cultura, ela própria corrompida, virou um bilionário instrumento de corrupção, manipulação  e mendacidade.



     Mas a população acordou do sono prolongado e, agora, está desalojando a canaille.



     Voltaremos ao assunto.