ONU, KAPPUT?
 

 
The UN is the root cause of international
trouble, not the answer. Delay. Negotiate.
Recommend. Study. Reconsider. Do
nothing. This is the game the UN has
played in nearly every international crisis.

Tom DeWeese

Quem se surpreende pelo que vem ocorrendo no Iraque atualmente, é porque não levou em consideração o discurso do Presidente George W Bush, perante o Congresso dos EUA logo após os atentados de 11 de setembro. No entanto, ele foi bem claro: avisou que uma guerra longa começava ali, uma guerra na qual os EUA não distinguiriam entre terroristas e países que os abrigassem. A maior parte desta guerra seria invisível, mas ocorreriam algumas ações visíveis. E ainda declarou: quem não está conosco, está contra nós. Ficou claro que ele passaria a tratar o terrorismo como guerra e não como crime, tal como antes dele, Ronald Reagan já o fizera em relação à Líbia, em 1986 – e Chirac, na época Primeiro Ministro, já se opusera, negando o espaço aéreo francês.

Naquele memorável discurso Bush falou como Presidente dos Estados Unidos da América, o País que havia sido covardemente atacado, não como um dos Membros da ONU. Mais tarde identificou o que chamou de “Eixo do Mal”, países que se enquadram na definição acima: Iraque, Irã e Coréia do Norte, sendo o primeiro considerado a maior ameaça dos três. Ficou claro que os EUA saberiam se defender sozinhos, mas já que consideravam o terrorismo como uma ameaça a toda a Humanidade e não só ao seu País, solicitaram ao Conselho de Segurança da ONU que examinasse o caso. Desde então, este Conselho emitiu 17 resoluções destinadas a desarmar o Iraque, todas desrespeitadas por Saddam Hussein. Finalmente, em 8 de novembro de 2002 foi emitida, por unanimidade, a Resolução 1441 que ordenava o imediato desarmamento daquele País.

Nesta Resolução resolveu-se dar uma oportunidade final ao Iraque para se desarmar completamente como o obrigava a Resolução 687 de 1991 (# 2) e relembrar que o Conselho já avisara diversas vezes que o Iraque enfrentaria sérias conseqüências se continuasse violando as decisões e não cumprindo com suas obrigações (# 13)*. No entanto, quando os EUA e o Reino Unido demandaram uma ação efetiva foi o que se viu: procrastinação, blá-blá-blá – especialidade francesa – jogo de cena e chantagem econômica por parte dos terceiro-mundistas. Contrariamente ao que se diz, não foi por agir isoladamente que Bush se desgastou mas exatamente pela sua insistência em conseguir o aval da ONU, contrariando a política de seus antecessores, que levou os Estados Unidos a esse imenso desgaste internacional. Às suspeitas dos outros países de que a guerra era só por petróleo, Bush respondeu com o convite para que todos participassem da campanha, o que impediria, na prática, que os EUA fizessem valer apenas os seus interesses. Ninguém quis.

PARA QUE SERVE A ONU, AFINAL?

A idéia moderna de uma liga ou federação de nações remonta a Kant (Sobre a Paz Eterna, 1795) e sempre foi encarada como a solução para os problemas mundiais. A Liga das Nações foi fundada após a I Guerra Mundial por inspiração do Presidente americano Woodrow Wilson, mas os EUA nunca pertenceram a ela pois o Congresso não aprovou. Finou-se quando não conseguiu impedir o Japão de invadir a China. Em outro artigo (ONU: Segurança ou Perigo, OFFMIDIA, 13/02/2003) escrevi que a ONU nasceu com um “pecado original”: um dos fundadores, a URSS, jamais respeitou um artigo sequer da Declaração dos Direitos do Homem, que cinicamente aprovara. Desde então, os próprios fundamentos da ONU são corruptos pois nela coexistem umas poucas nações civilizadas, algumas ditaduras poderosas e um número imenso e desorganizado de países opressivos do chamado Terceiro Mundo.

Na verdade, são as ditaduras que mandam na ONU: a China tem poder de veto, a Síria faz parte do Conselho de Segurança, a Líbia preside o Comitê de Direitos Humanos (!), Iran e Iraque são candidatos a membros e/ou presidir o Comitê de Desarmamento (!), a maioria das Agências é controlada por países africanos nada interessados em processos democráticos. Como todas as ditaduras são baseadas em idéias coletivistas, a base real da ONU é o coletivismo global, a chamada comunidade internacional – a crença de que o julgamento dos interesses das nações democráticas – no caso atual os EUA -deve estar subordinada à esta opinião coletiva. Esta base pseudo-democrática de decisões está submetida a países que se opõem tenazmente aos valores ocidentais, tais como o governo representativo, a justiça, a liberdade empresarial, a privacidade individual, a propriedade privada – todos eles encarados como perigosos pela mistura confusa de regimes comunistas, reinos absolutistas ou ditadores tribais insanos.

Há um certo delírio coletivo de que todas as nações são iguais, pois vamos a alguns exemplos: Argélia, Burkina Faso, China, Cuba, Congo, Malaysia, Arábia Saudita, Sudão, Vietnam – todos ditaduras cruéis e last but not least Zimbabwe – onde o assassino Mugabe continua matando quem bem entende, e vá alguém reclamar na ONU! Escândalo, é preciso respeitar a autodeterminação dos povos! Só dos EUA não pode? Exatamente o País que cedeu o terreno da sede (doado por John D. Rockfeller ao valor da época de 8,5 milhões de dólares, calcula-se que hoje valha 72) e responsável por mais de um terço do orçamento (se forem incluídas as Agências).

A resposta à pergunta acima é: a ONU serve para duas coisas, a tentativa de organizar de um Governo Mundial e dar emprego a uma troupe de burocratas que ficariam sem nada para fazer se ela acabasse. Embora se diga que a ONU protege os pobres do mundo, estima-se que vá gastar mais de 1 bilhão de dólares (estimativa de 964 mil em 2000) para construir uma nova sede de 30 andares e reformar a atual. E é aqui que as duas respostas se juntam: já pensaram que maravilha se existisse um sistema tributário mundial? Pois já estão tentando, inclusive nosso ex-Presidente FHC com suas idéias esdrúxulas de imposto sobre movimentação financeira internacional, uma espécie de CPMF mundial.

Mas o perigo maior não é este. Já imaginaram um Governo Mundial dominado por este amontoado de ditadores, reizinhos e “generais” tribais? É possível que a Constituição Mundial contemple nossos ideais ocidentais de liberdade? No papel, talvez; na prática, será a ditadura mundial.

O FIM DA ONU?

Duvido, estamos por demais acostumados com esta hidra, mas está nas mãos dos EUA. Em primeiro lugar, a reconstrução do Iraque deverá ficar exclusivamente nas mãos dos Países da Coalizão. Segundo, se Saddam ou seus filhos e associados forem presos ainda vivos, deverão ser julgados por um Tribunal também formado pela Coalizão, como em Nüremberg, jamais nesta excrescência Tribunal Parcial Internacional. E por último, com a declaração americana que se retirará da ONU imediatamente, dando um prazo para que consigam outro lugar para se instalarem. E em quarto, retirar suas tropas dos países da “velha Europa” e encaminha-los para a Nova. Mas estes são temas para os próximos artigo.

* Quem quiser ler o texto completo: http://www.state.gov/p/nea/rls/15016.htm
 

 
MSM 28 de março de 2003