INTERNACIONALIZAÇÃO DO CONFLITO COLOMBIANO
 

 
Análise da internacionalização do conflito colombiano



* Coronel Luis Alberto Villmarín Pulido



As relações internacionais e as linhas políticas multilaterais do mundo contemporâneo experimentam um processo geopolítico evolutivo. A tendência da imprevisível mudança na ordem mundial incide na segurança hemisférica, na estabilidade regional e na projeção estratégica das FARC na Colômbia. São eventos que interatuam e afetam igualmente a geopolítica latino-americana e a política exterior dos Estados Unidos para o hemisfério. Entretanto, parece que os afetados fazem outras leituras do tema.



Os fatos estão encadeados entre si: o armamentismo chavista comprado à Rússia e seu projeto de entrar para o clube nuclear a dupla moral de Lula frente ao terrorismo comunista no hemisfério a evidente aproximação dos governos de Cuba, Nicarágua, Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Brasil e Venezuela com as FARC a farsa da UNASUL com o argumento da paz para a Colômbia quando na realidade busca o apoio das FARC a ambição dos comunistas brasileiros para manipular o projeto geopolítico do gigante sul-americano a favor do plano estratégico do Foro de São Paulo e os interesses expansionistas da ditadura cubana a relação aberta do Brasil, Venezuela, Equador e Bolívia com o Irã, país provedor e difusor do terrorismo islâmico a atitude desafiante da Coréia do Norte a trapaceira expansão econômica da China.



A Venezuela é o foco do problema



As revelações de Wikileaks acerca da participação e contribuições do governo chavista na tentativa de construir um monopólio socialista do México à Argentina, são inferiores à realidade. Com a finalidade de amedrontar, e se for o caso, utilizá-las para uma guerra que lhe permita conseguir seu objetivo, Chávez rompeu o equilíbrio estratégico defensivo dos países latino-americanos com a compra de milhares de milhões de dólares de armas apropriadas para conflitos de média intensidade.



Com elas dotou umas Forças Armadas politizadas e ideologizadas por Cuba, com o claro propósito de atacar a Colômbia em conjunto com as FARC, o ELN e terroristas internacionais da guerrilha bolivariana financiada pelo Palácio de Miraflores, sobre a linha estrutural do Plano Guaicapuro, a Constituição chavista de 1999 que considera território venezuelano algumas porções dos estados colombianos de Arauca e Gaujira, assim como a intenção geoestratégica do Foro de São Paulo, o programa revolucionário do Movimento Continental Bolivariano e o Plano Estratégico das FARC.



Constituem provas concretas desta afirmação, a presença na Venezuela de milhares de terroristas cubanos dedicados a treinar os comitês de defesa da revolução chavista, a aquisição de poderosas armas anti-aéreas para dotar as FARC e as milícias bolivarianas venezuelanas, os acordos secretos do governo venezuelano com Irã e Rússia, os milhões de dólares que tem repartido aos governos títeres de Cuba e Venezuela em Quito, Manágua, La Paz, Buenos Aires, Assunção, Montevidéu e a transferência permanente de recursos à ditadura cubana.



Em que pese que algo tão grave se teça na Venezuela onde ETA, as FARC, o ELN, a guerrilha bolivariana internacional, Hizbolah, Hamas e os narco-traficantes têm acampamentos, fazendas de recreio, documentos de identidade e até escritórios no Fuerte Tiúna, somados à permanente expropriação de bens imóveis e propriedades a venezuelanos e estrangeiros, e a habitual censura à imprensa livre, nem a ONU, nem a OEA, nem a Corte Penal Internacional, nem a desde sempre defasada diplomacia colombiana parecem se dar por aludidos.



Com a morte de Raúl Reyes no Equador, Chávez jogou as cartas. Não só ressarciu sua alocução anterior de pedir status de beligerância para as FARC e o ELN, como presidiu um minuto de silêncio em memória do terrorista abatido. Poucos meses depois, ordenou a construção de vários monumentos em memória de Tirofijo, incluiu nos textos de educação primária e secundária a veneração pelos cabeças das FARC falecidos e ordenou uma maciça mobilização de tropas na fronteira com a Colômbia, em cumprimento do pacto feito com Iván Márquez das FARC na sede principal da PDVSA.



As reiteradas agressões verbais de Chávez contra Uribe não são gratuitas. Por trás delas está implícita a intenção expansionista do Socialismo do Século XXI, o estabelecimento de um governo títere na Colômbia e o cumprimento dos programas táticos e estratégicos do Foro de São Paulo.



Os computadores de Raúl Reyes e Jojoy corroboram os alcances do projeto chavista contra a Colômbia, ratificam seus nexos com as FARC e o ELN, e comprovam que Chávez financiou campanhas de reconhecidos dirigentes políticos de esquerda pró-terrorista, para o Congresso e corporações regionais colombianos.



À agressão contra a Colômbia acrescentam-se a compra de consciências, com o avultado talão de cheques de petrodólares, da veleidosa mandatária argentina Cristina Kirchner, do corrupto terrorista desmobilizado nicaragüense Daniel Ortega, do cínico e histriônico presidente equatoriano Rafael Correa, e do cocalero indígena boliviano Evo Morales.



Suas relações com o Irã não só pretendem desafiar os Estados Unidos, senão que levam a sério para atacar o odiado “império norte-americano”. Centenas de terroristas islâmicos conseguiram nacionalidade venezuelana e identidades falsas com nomes hispânicos, estão aprendendo espanhol para melhorar o idioma e preparar o ingresso clandestino como turistas latino-americanos nos Estados Unidos para cometer ações terroristas. 



Sua incursão na era atômica financiada com recursos petroleiros, aponta a longo prazo a desencadear uma guerra internacional simultânea da Rússia, China, Coréia do Norte e os países islâmicos contra os Estados Unidos. Nesse sentido, o intercâmbio de tecnologia atômica com a Rússia e o Irã, e a cumplicidade de Lula para legitimar a intenção nuclear da Turquia e da Síria, complementam a frase permanente de Chávez de gerar mil Vietnãs em mil partes contra o capitalismo norte-americano.



E a Colômbia é o epicentro para gerar o Vietnã no hemisfério latino-americano.



Manipulação do projeto geopolítico brasileiro 



A escola geopolítica brasileira desenhou nos anos sessenta um ambicioso projeto geopolítico e geoestratégico, para projetar o gigantesco país como a primeira potência latino-americana em todos os campos do poder nacional, inclusive a saída para o Oceano Pacífico.



Não obstante, os vai-vens políticos derivados da instabilidade, da corrupção administrativa e da incompetência de muitos dirigentes nacionais, regionais e locais brasileiros, deram margem a que o Partido dos Trabalhadores (PT), apêndice estrutural do Foro de São Paulo, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), induzissem o eleitorado a escolher uma opção diferente da politicagem nacional.



Nesse cenário, os comunistas brasileiros colocaram Luiz Inácio Lula da Silva, hábil demagogo que optou por não tocar nos militares para que o sustentassem no poder, e inclusive fortaleceu-os com armamento de última geração e a ansiada entrada do Brasil no clube nuclear. Também guiado pelos logros de Michelle Bachelet no Chile, deixou que os industriais incrementassem seus negócios e inclusive promoveu com seus diplomatas a busca permanente de novos mercados para os produtos brasileiros.



Enquanto isso, no plano interno promoveu o fortalecimento do PT, em especial a preparação do caminho para que outra comunista o sucedesse no cargo, como com efeito conseguiu com a eleição da terrorista Dilma Rousseff.



Ao mesmo tempo abrigou terroristas das FARC, fez-se de desentendido com a necessidade de combatê-los, se auto-declarou neutro ao que parece para poder trabalhar como mediador, apesar de que ninguém lhe solicitou tal intervenção, e com audaciosas astúcias impulsionou as “libertações” unilaterais de seqüestrados no poder das FARC, graças a seu “desejo de que a Colômbia alcance a paz”.



Quando o presidente Uribe assinou o acordo da presença de militares norte-americanos em bases colombianas, Lula se opôs com veemência a este projeto, porém guardou silêncio cúmplice com a presença militar russa na Venezuela, e a compra de ingente material de guerra de Caracas para preparar ataques militares contra a Colômbia.



Tampouco disse nada pelo ingresso da Venezuela na carreira nuclear, ou na desmedida presença de milhares de terroristas cubanos na Venezuela, ou da chegada permanente de iranianos ao Equador e Venezuela, ou ainda o suspeito asilo permanente de cubanos em Quito.



Frente ao drama de miséria e opressão padecido pelo povo cubano, materializado em centenas de presos políticos em greve de fome, Lula não teve problema para rotulá-los de delinqüentes inimigos da revolução socialista.



Antes de entregar seu mandato e com o propósito de desafiar os Estados Unidos e contribuir com o Plano Estratégico do Foro de São Paulo, do qual é co-fundador, Lula não só se intrometeu no conflito Israel-Palestina com a farsa de mediar para buscar a paz no Oriente Médio, senão que com procedimentos próprios da conduta marxista-leninista tradicional, afirmou que o governo brasileiro reconhece a Palestina como Estado soberano e independente, com os limites geográficos e condições políticas exigidas pelos palestinos. 



Antes havia recebido com honras o presidente Ahmadinejad do Irã, reconhecido inimigo dos Estados Unidos e havia subscrito pactos com a França para potencializar o Brasil no campo nuclear, contra os acordos subscritos pelos países membros da ONU e das normas que regem a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). 



Apoiado em sua condição de potência latino-americana e com a cumplicidade de Hugo Chávez, interveio no conflito político desatado em Honduras com a destituição de Zelaya de maneira descarada. Sem nenhum recato, Lula organizou uma ópera bufa e por meio do corpo diplomático brasileiro creditado em Tegucigalpa, introduziu em uma aeronave com imunidade diplomática e em seguida à embaixada brasileira, o deposto marxista-leninista Manuel Zelaya.



Não satisfeito com esta aberta intromissão em assuntos soberanos de Honduras, Lula encabeçou o complô internacional para desconhecer o governo legítimo de Porfirio Lobo, eleito nas urnas, enquanto guarda um silêncio cúmplice frente à intromissão de Chávez com a ALBA em quase todos os países latino-americanos, e o descarado apoio dos governos inscritos no Foro de São Paulo ao projeto anti-democrático e totalitário Movimento Continental Bolivariano e aos terroristas de todos as pelagens no hemisfério. Entretanto, são muitos os bajuladores com a falsa vontade pacifista e conciliadora de Lula. Muito poucos analistas analisaram suas verdadeiras intenções.



A era Kirchner converteu a Argentina em um ninho de terroristas 



A morte de Néstor Kirchner foi coberta pela esquerda pró-terrorista latino-americana e pela estultícia funcional dos que lhes fizeram coro, com um manto propagandístico para projetá-lo na história como um grande líder latino-americano.



Quase ninguém lembrou que durante a era Kirchner as FARC se movimentaram com ampla cumplicidade governamental na Argentina, que alguns membros do grupo terrorista se nacionalizaram nesse país e que os conchavos do Foro de São Paulo e UNASUL objetivando legitimar as FARC como força beligerante, foram urdidos sob a direção de Néstor Kirchner, com o mesmo argumento de “buscar a paz para a Colômbia”.



Em convivência com Patricio Echegaray e outros chefes do Partido Comunista Argentino, Néstor Kirchner montou uma conchavada internacional para buscar a legitimação das FARC na Europa, por meio de um filme repleto de propaganda e mentiras acerca das verdadeiras intenções ou das realidades internas do grupo terrorista.



Por instruções de Lula, Kirchner foi o cérebro que urdiu a trama de fazer uma reunião da UNASUL em San Carlos de Bariloche para “crucificar” Uribe, porém o talento e a inteligência do mandatário colombiano superaram os alcances dos conspiradores, pois todas as intervenções foram televisionadas, Uribe lhes exigiu que se unissem para combater o terrorismo e o pretendido Conselho de Segurança da UNASUL, idealizado para legitimar as FARC a longo prazo, ficou esquecido.



Ante a ausência de Néstor Kirchner, que era quem governava a Argentina desde os bastidores, por ordem de Lula, Chávez e Fidel Castro, a vaidosa presidente Cristina Fernández afirmou que seu governo marxista-leninista reconhece o Estado palestino em condições similares às que fez o Brasil.



Desde antes da destituição da senadora Piedad Córdoba, porque a Procuradoria colombiana comprovou que ela tem nexos com as FARC, os esposos Kirchner - e depois só a viúva Cristina - foram anfitriões e promotores de todo tipo de atividades propagandísticas e das farsas urdidas pelas FARC e “colombianos pela paz”, tendentes a legitimar as FARC e articulá-las dentro da estratégia integral do Foro de São Paulo, do qual os terroristas colombianos são sócios co-fundadores com Lula e Fidel Castro.



Informações recentes chegadas desde Buenos Aires, indicam que algumas escolas militares argentinas foram utilizadas para treinar difusores da teoria castro-chavista na Argentina e que, inclusive, dentro destes grupos há bolivianos enviados por Evo Morales que promovem invasões de terras e expropriações pela força.



Outras informações indicam a existência de campos de treinamento terrorista na fronteira da Bolívia com a Argentina e de claros nexos dos comunistas argentinos amigos do casal Kirchner com as FARC, os mapuches chilenos, a Frente Manuel Rodríguez e terroristas peruanos.



Só o governo dos Estados Unidos tem exteriorizado sua preocupação pela saúde mental da senhora Kirchner. Os demais países e seus compatriotas guardaram silêncio cúmplice frente a ela e seu comportamento. Enquanto isso, os terroristas e os inimigos da democracia, da liberdade e do capitalismo têm um excelente aliado no governo argentino.



Os peões de Lula e a ditadura cubana



Enquanto Chávez é um peão de Lula e Fidel Castro, Daniel Ortega, Rafael Correa, Evo Morales, Cristina Fernández, Fernando Lugo e Mujica, são peões de Chávez e dos outros dois mandatários pró-terroristas.



Com absoluto descaramento Rafael Correa finge nacionalismo ferido e patriotismo de vitrine. Aduz que o ataque das Forças Militares colombianas contra a guarida de Raúl Reyes em Angostura, foi uma deliberada agressão contra o Equador e não uma operação anti-terrorista necessária.



Tampouco reconhece sua participação no complô contra a Colômbia do Foro de São Paulo e os conchavos politiqueiros que Néstor Kirchner montava desde a UNASUL para legitimar as FARC. Argue que ele só busca a paz para a Colômbia, país que segundo suas palavras não controla as fronteiras, que o Equador não vai se meter neste conflito e que ele não considera que as FARC sejam terroristas.



Desde antes de tomar posse como presidente, Correa e seu antecessor Palacio geraram incontáveis escândalos com o objetivo de que a Colômbia suspendesse as fumigações dos cultivos de coca na fronteira colombo-equatoriana, para que não se afetassem as finanças de seus sócios das FARC. A desculpa de Correa foi que as fumigações afetavam a saúde dos camponeses equatorianos residentes perto do acampamento onde caiu Reyes.



Por razões óbvias, Correa nega que as FARC financiaram parte de sua campanha presidencial e que vários funcionários de seu partido político, Alianza País, são terroristas ou cúmplices das FARC.



Nessa ordem de idéias, Correa urdiu o estratagema de abrir uma investigação penal contra Juan Manuel Santos e o Comando Militar Colombiano pela operação que deu baixa a Raúl Reyes, para se blindar de possíveis repercussões jurídicas internacionais por ter nexos com terroristas.



Para isso, chantageou os comerciantes e industriais equatorianos e seus pares colombianos, com a calculada ruptura de relações internacionais, recompostas por idéia de Lula e Fidel Castro, tão logo Uribe saísse do poder.



O objetivo essencial desta farsa é aprumar Santos para que ele não revele os conteúdos dos computadores de Jojoy, sob pena de ativar a ordem de captura contra ele, aparentar que tem boas relações com a Colômbia, enquanto que por baixo da mesa jogam cartas objetivando a legitimação do grupo terrorista e a queda do odiado “império yankee”, estratagema do qual Chávez cumpre fielmente sua parte com a farsa do “novo melhor amigo de Santos”. 



Por seu lado, Daniel Ortega tem asilado terroristas colombianos em seu país e em coordenação com a ditadura cubana facilita todos os meios físicos como passaportes, identidades falsas, ou alojamento temporário que requeiram os narco-terroristas colombianos. 



Ao mesmo tempo, Ortega tem nexos com narco-traficantes, com traficantes de armas, com lavadores de dinheiro e com delinqüentes de todas as pelagens. Desde quando ocupou a primeira presidência como ditador comunista, Ortega teve nexos com narcos do cartel de Medellín e corruptos oficiais cubanos, assim como com terroristas islâmicos e etarras, e inclusive um basco militante do ETA foi funcionário oficial da ditadura sandinista nicaragüense, enquanto que enviados por seu governo se integraram às FARC e outros terroristas latino-americanos. 



Finalmente, Ortega utilizou seus amplos conhecimentos em guerra psicológica marxista-leninista para desprestigiar a Colômbia nos estratos diplomáticos e acadêmicos internacionais, objetivando conseguir uma sentença favorável à Nicarágua em torno ao desacordo limítrofe que idealizou contra a Colômbia para questionar a soberania colombiana dos recifes de Roncador e Quitasueño, e inclusive sobre as ilhas de San Andrés e Providencia, com a finalidade de desviar a atenção de seus compatriotas ao redor de sua deficiente capacidade governamental.



Para o efeito, em associação com Lula, Chávez e a ditadura cubana, urdiu a trama de invadir território costa-riquenho para se apropriar de um terreno que lhe permitia construir um canal inter-oceânico que sabotaria a pujança panamenha e desafiaria a Casa Branca desde outra instância.



Igualmente, seu governo treinou terroristas hondurenhos esquerdistas, amigos de Zelaya, para que mais adiante iniciem atividades guerrilheiras tendentes a depor pelas armas o governo de Porfirio Lobo.



Atitude ambivalente do Presidente Juan Manuel Santos



Com absoluta hipocrisia compartilhada por Lula, Chávez, Correa e a Kirchner, o presidente colombiano Juan Manuel Santos joga em várias frentes sua presença no entorno internacional. Eleito não por ser o mais capaz do leque (pois não havia tal), se auto-nomeou herdeiro do uribismo, ao prometer que não permitiria intromissões chavistas na Colômbia. 



Os colombianos votaram contra Chávez, contra as FARC e contra as trapaças dos chamados colombianos pela paz. Não votaram porque Santos encarnasse a herança uribista ou a continuidade da guerra contra o terrorismo e seus cúmplices. Votaram por ele, porque não havia ninguém mais com algum indício de continuar a obra iniciada por Uribe.



Não obstante dias antes de sua posse os organismos de segurança do Estado terem abortado um plano terrorista financiado por Chávez para assassiná-lo, tão logo assumiu o cargo Santos fez o jogo da farsa do Foro de São Paulo e do dia para a noite tornou-se o “novo melhor amigo de Chávez”.



Não se entende, se de pleno conhecimento ou não, Santos acaba de aceitar a imposição das FARC para entregar cinco seqüestrado como “desagravo” à destituída senadora Piedad Córdoba, que a intenção velada do Foro de São Paulo e dos demais cúmplices das FARC é atuar como lobos com pele de cordeiro, ao promover supostos diálogos de paz para legitimar as FARC, conceder-lhes status de beligerância, reconhecê-los como Estado paralelo, assim como fizeram Lula e a Kirchner com a Palestina seguidos pelo Uruguai e a Bolívia, e com esses argumentos apoiar uma guerra civil que conduza à queda do governo colombiano.



O fundo da trama da libertação dos seqüestrados não só pretende re-legitimar a senadora destituída, senão buscar a abertura de negociações que ressuscitem o cadáver político das FARC, para que elas sejam retiradas da lista de terroristas e lhes permitam um oxigênio para se rearmar, aliviar a pressão militar e continuar o desenvolvimento do Plano Guaicapuro em consonância com o governo chavista.



Durante os primeiros quatro meses de seu mandato Santos preocupou-se mais por sua imagem pessoal do que em governar. O balanço dos primeiros cem dias de seu governo converteu-se em um somatório de auto-elogios e possibilidades, para que os meios de comunicação próximos à casa Santos multipliquem e repitam a suposta evidência de que Santos é melhor presidente do que Uribe.



Como a Colômbia tem convivido com a mediocridade política, a opinião pública caiu no adormecimento e, portanto, esqueceu que as FARC têm sócios poderosos nos governos vizinhos e que estes personagens não cederam em seu empenho de agredir a Colômbia, nem no projeto estratégico do Foro de São Paulo de cristalizar o sonho totalitário da ditadura cubana em todo o continente.



Há muitas provas disso. Em nenhum momento Chávez esclareceu as razões para que Iván Márquez e outros bandidos das FARC e do ELN tenham guaridas na Venezuela consentidas por seu governo, como o presidente Uribe demonstrou com fotos de satélites e documentos probatórios. 



O pior é que Santos atuou com hipocrisia frente a essa realidade e inclusive prestou-se para intercambiar um narco-traficante venezuelano que conhece e tem muitas provas acerca dos nexos de Chávez com o narco-terrorismo, por três desertores das FARC e do ELN, apresentados em conchavo com Iván Márquez e Gabino, como se ainda militassem nestes grupos, com a finalidade de aparentar que “desligam” Chávez dos terroristas.



Além da preocupação de Santos por salvar a própria pele frente às ordens de captura expedidas pela manipulada e débil justiça equatoriana, lhe assiste a pressão de alguns comerciantes colombianos para que Chávez não vá lhes roubar o dinheiro endividado, pelo pagamento de exportações de produtos para a Venezuela, como se não houvesse mais mercados no planeta.



A direção estratégica da chancelaria foi pobre e focalizada. A ministra Holguín circunscreveu seu trabalho em continuar sua tarefa como embaixadora que foi da Venezuela, porém desde uma instância com mais poder. O resto do planeta não cabe em sua cabeça.



Finalmente, os embaixadores e cônsules continuam ignorando algo frente à agressão narco-terrorista e a propaganda comunista anti-colombiana no exterior. Por trabalhar com horário e desconectados da realidade nacional, quase todos estão convencidos de que a guerra na Colômbia é um problema entre o Exército e os bandidos. E que a paz é um assunto entre o presidente de turno e os terroristas, então, a eles não lhes compete nada.



A ausência de objetivos nacionais e o desconhecimento absoluto da defesa e da segurança nacional por parte de todos os ministros da Defesa civis desde 1991 até a presente data, incidiu em que a guerra não se decida de maneira articulada e com visão institucional patriótica.



O recente episódio revelado por WikiLeaks no qual o general Naranjo, Diretor da Polícia Nacional, apareceu resenhado como o informante predileto da embaixada dos Estados Unidos em Bogotá, demonstra que, em que pese ser uma instituição armada que deve estar sujeita à estrita disciplina castrense anda como uma roda solta, pois os agentes de polícia já não atuam sob o comando operacional das Forças Militares. Inclusive a Lei Orgânica de Defesa Nacional, posiciona o Diretor da Polícia Nacional no mesmo nível do Comandante Geral das Forças Militares, e acima dos comandantes de cada uma das outras três Forças.



Dizem ser um corpo civil uniformizado, porém têm unidades de contra-guerrilha rurais, portam armas de infantaria ligeira, treinam grupos de Forças Especiais que operam como comandos de selva, com apoio dos Estados Unidos, realizam operações de combate contra narco-traficantes e amiúde são alvos de ataques terroristas das FARC e do ELN.



Ao que parece, em reconhecimento por seu trabalho de informante, o governo norte-americano escolheu Naranjo como o melhor policial do mundo, e isto, ademais, explicaria as razões para que a Polícia Nacional tenha tido informações tão precisas acerca dos acampamentos de Reyes, Jojoy, El Paisa, Jerónimo Galeano e outros bandidos das FARC e do ELN.



O certo é que essa individualização egocêntrica da luta contra o narco-terrorismo na Colômbia gera prevenções institucionais e facilita o fortalecimento dos delinqüentes de todas as pelagens.



A encruzilhada dos Estado Unidos



Além de duas guerras estéreis e com muitas perdas humanas e materiais no Iraque e Afeganistão, o governo dos Estados Unidos enfrenta sérios problemas internos e externos, derivados de erros na política nacional e internacional, assim como na dinâmica geopolítica atual.



A ameaça latente da evidente ampliação do clube nuclear com iminentes repercussões para desencadear uma guerra mundial contra os Estados Unidos, desde a Coréia do Norte ou do Oriente Médio, tem ocupado o Pentágono e incide em que a América Latina continue sendo vista como um quintal.



O tratamento da Casa Branca para com a Colômbia, seu mais leal aliado no hemisfério, foi manipulador. Não se concebe que a bancada democrata tenha negado o TLC à Colômbia, instigada por comunistas de todo o hemisfério que aqui blasfemam dos gringos e até queimam sua bandeira, mas lá vão pedir-lhes apoio para questionar o governo colombiano por supostas violações aos direitos humanos.



Tampouco se entende que haja pressões politiqueiras em conta-gotas para a ajuda do Plano Colômbia, quando sabe-se que todas as operações que se realizem contra o narco-tráfico, são em conjunto assuntos atinentes à segurança nacional de ambos os países e à estabilidade hemisférica.



Muito menos se entende ou se aceita que a inteligência militar precisa para golpear o narco-terrorismo seja entregue com exclusividade à Polícia, em que pese a que esta instituição por sua essência não é nem uma força militar, nem sua razão de ser supõe missões de combate em guerra irregular.



É curioso o silêncio tácito da Casa Branca frente aos planos do Foro de São Paulo e a atitude desafiante do Brasil contra os interesses norte-americanos, secundados pelos governos que apóiam as FARC. A atitude do governo Obama frente ao rechaço do povo hondurenho ao governo Zelaya, marcou outra baliza da imprevisível atual política exterior de Washington.



Resulta difícil entender a complacência da direção política norte-americana com as permanentes atitudes anti-yankees de Lula da Silva, amigo de Ahmadinejad, sócio de Chávez e cúmplice das FARC.



Embora seja óbvio que o Pentágono entende os alcances da estratégia conjunta a longo prazo dos inimigos dos Estados Unidos para disseminar a tecnologia atômica e gerar mil Vietnãs em mil partes ao mesmo tempo, parece que existem diferenças de critérios entre o governo Obama e os estrategistas do Pentágono.



Todos os meses os organismos de segurança abortam um ou mais planos terroristas urdidos por muçulmanos extremistas em território norte-americano. E amiúde aparecem mais provas de que a interconexão do terror é mais evidente. Entretanto, há os que separam os conflitos e concluem que as alianças entre os grupos terroristas são circunstanciais.



É como se não entendessem que ao longo da primeira década do século XXI, os governos que apóiam grupos terroristas não só o fazem porque estes grupos odeiam os Estados Unidos, senão porque eles, como governos, planejam a longo prazo gerar um caos em diferentes pontos do planeta, para desarticular os poucos aliados sensatos que o colosso norte-americano tem.



Na mira estão Colômbia, Canadá, Japão, Israel, Reino Unido, Austrália, Coréia do Sul e Taiwan. Porém, apesar das evidências, nem a política exterior norte-americana nem a concepção interna dos fazedores de opinião apontam para a necessidade de fortalecer os aliados para evitar agressões contra o livre mercado, a democracia e a estabilidade da paz internacional.



Conclusões



1. Há uma evidente tendência política esquerdista internacional aliada com islamistas extremistas para mudar a ordem geopolítica atual e tirar do caminho a preeminência política, econômica e militar dos Estados Unidos. Assim, Rússia, China, Coréia do Norte e os Estados extremistas islâmicos, têm um meio a mais para atacar a potência norte-americana e fazer mil Vietnãs em mil partes.



2. A Colômbia é o objetivo mais caro desta conjuntura na América do Sul. A legitimação das FARC é um pilar transcendental neste projeto.



3. Chávez, Lula, Correa e os demais membros do Foro de São Paulo continuam empenhados em escravizar a Colômbia e, por extensão, afetar os interesses estratégicos dos Estados Unidos na região.



4. As FARC e outros grupos terroristas têm acampamentos na Venezuela, Equador e Brasil, porém além disso contam com a cumplicidade dos governos da Nicarágua, Cuba, Paraguai, Bolívia e Argentina.



5. Chávez continua exportando a revolução comunista que lhes ensinam os terroristas cubanos. Para isso, ele utiliza a ALBA e o trabalho constante de seus embaixadores e cônsules em todas as partes do mundo. A propaganda permanente tem sido sua arma predileta, e inclusive financia atividades propagandísticas do ETA, FARC e Hizbulah em diferentes países do mundo.



6. A UNASUL e o Grupo do Rio pretendem fazer a OEA desaparecer, desbaratar o Tratado Interamericano de Ação Recíproca (TIAR), projetar o Brasil como potência anti-yankee e submeter todo o continente latino-americano à mão de ferro marxista-leninista, em uma reedição da Guerra Fria.



* Analista de assuntos estratégicos - www.luisvillamarin.com 



Tradução: Graça Salgueiro