ONU: SEGURANÇA OU PERIGO?
 

 
“How the great democracies triumphed,
and so were able to resume the follies
which had so nearly cost them their life”
Sir Winston Churchill
Triumph and Tragedy (Introduction)


A ONU foi criada com a finalidade de ser um fórum de discussões para as nações do mundo, mediar conflitos e definir e garantir os direitos humanos fundamentais. Não nasceu como conseqüência da paz, mas da guerra fria que já começara e nunca foi uma organização para manter a paz, mas para manter a guerra. Fria! Evitando que “esquentasse”.

A guerra fria começou bem antes de terminar a guerra quente. Com a derrocada do nazifascismo e do militarismo japonês sendo apenas uma questão de tempo, e com grande parte da Europa, da África e da Ásia ocupadas, era necessário definir o que fazer depois, pois finda a guerra as tropas teriam que ser trazidas de volta. Na Conferência dos três grandes - Roosevelt, Churchill e Stalin – em Yalta, foram definidas as famosas “Zonas de Influência”. Começavam a se definir os quatro Membros Permanentes do Conselho de Segurança - embora o Extremo Oriente não tivesse sido discutido, incluiu-se a China - de uma futura Organização Mundial, que teriam poder de veto sobre qualquer resolução tomada. No entanto, quando Roosevelt declarou que faria qualquer coisa para manter a paz, menos manter por mais de dois anos as tropas de ocupação americanas no teatro europeu, Churchill, que já antevia o futuro choque com a URSS, sentiu que deveria haver um “colchão” entre a Alemanha e a Inglaterra. Forçou por esta razão a inclusão da França e a necessidade de ter um França forte com quem dividir as responsabilidades. Para isto era necessário definir uma área de ocupação francesa na Alemanha.

A organização conta em seu currículo com algumas vitórias: a criação do Estado de Israel, a ação pacificadora na Coréia e em Suez, são as mais importantes. Simultaneamente, no entanto, foram se agigantando agências que nada tinham a ver com suas funções originais e que apontam cada vez mais para a tentativa de estabelecimento de um governo mundial unificado. Estas agências vão se constituindo em verdadeiros “ministérios internacionais”, pois extrapolam de suas funções ao se transformarem de assistenciais em reguladoras: Educação e Cultura (UNESCO), da Criança (UNICEF), do Trabalho (OIT), da Saúde (OMS), até mesmo o da Fome (FAO). Já existem várias tentativas de formar um Corpo Militar Permanente que daria a ela a força de invadir países, cujo embrião são os Capacetes Azuis.

Simultaneamente, a ONU foi crescendo também em número de países, principalmente daqueles que jamais respeitaram os princípios expressos na Declaração dos Direitos do Homem, o que é um absurdo, pois ou a organização acredita ou não acredita no que ela mesma elabora. O problema é que um dos fundadores era um dos mais brutais regimes da história da Humanidade e este já era o “pecado original”. Logo em 1949 a China do Kuomintang, de Chiang Kai Chek, passa a ser a ditadura comunista de Mao Tse Tung a qual vem a substituir a primeira.

A primeira agência que foi tomada por estes países foi a UNESCO já nos anos 70. Em 75, pressionada por países árabes e as mais diversas ditaduras terceiro-mundistas – algumas tribais – declarou que “Sionismo é uma forma de Racismo” e logo aceitou a entrada em seu recinto de um terrorista confesso, Yasser Arafat, armado, pois se recusara a abandonar seu revólver.

A meu ver a ONU começou a morrer com esta humilhação. Progressivamente o antiamericanismo foi tomando conta de todas as agências, da Assembléia Geral e do Conselho de Segurança. Na verdade, este antiamericanismo é contra o que os EUA representam: a liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos, os três fundamentos da prosperidade e da riqueza. Hoje atingiu-se um ponto insustentável com a Líbia de Khadhafi presidindo a Comissão dos Direitos Humanos e o próximo rodízio da Conferência do Desarmamento que passará a ser presidida, supremo sarcasmo, pelo Iraque de Saddam Hussein! E a próxima Conferência de Planejamento Agrícola pode vir a ser realizada em Pyong Yang. E entenda-se: os EUA, além de cederem o terreno e construírem a sede, são responsáveis por mais de um terço da receita da ONU. Isto é, pagam para serem atacados!

Finalmente, o cerco ficou completo com a atitude de três países que pareciam aliados. A Alemanha – que causou as últimas três guerras européias com seu militarismo exacerbado, duas vezes derrotada pelo EUA, e cujo Ministro do Exterior, Joshka Fischer é um ex-aliado do grupo terrorista Baader-Meinhoff e outros grupos anti-semitas; a França – cujas glórias militares foram enterradas junto com Napoleão e desde então acrescentou às suas especialidades, vinhos e queijos, a rendição rápida e o colaboracionismo, duas vezes salva pelo EUA; e a Bélgica – possivelmente uma campeã de direitos humanos com suas ações “humanitárias” no Congo. Pode-se antever que maravilhoso Governo Mundial teríamos no futuro.

Mas talvez ainda haja salvação. Os EUA muito provavelmente não vão levar em consideração mais nenhum adiamento das inspeções para que chegue o verão no Iraque e o ataque seja impossível, pois os trajes de proteção biológica são extremamente quentes. A OTAN deverá acabar, ao menos na forma com que existe hoje, com os EUA e Inglaterra buscando outros alinhamentos com a Nova Europa. A ONU, não apoiando o ataque, terá o mesmo destino da Liga das Nações, confirmando as previsões do maior estadista do século passado, citado em epígrafe. Torço para que isto aconteça, pois assim seria afastado o perigo de formação de um Governo Mundial que aboliria as diferenças nacionais.



 

 
Publicado em OFFMIDIA em 13/02/2003