AS RAÍZES HISTÓRICAS DO EIXO DO MAL LATINO AMERICANO - II
 

 
SEGUNDA ESTRATÉGIA (CONTINUAÇÃO)
PERÍODOS PÓS-GUERRA E GUERRA FRIA

"Perpetual peace is a futile dream".

“… give me 10 days and I'll start a war with those God damn Reds and make it look like their fault. Then we can push the motherfuckers back into Moscow where they belong! (…) If we have to fight them, now is the time. From now on we will get weaker and they stronger”.

General George S Patton

À medida que ia conhecendo melhor os soviéticos crescia a forte convicção de Patton, talvez o mais genial dos generais da II Guerra, de que a melhor atitude seria esmagar o comunismo ali mesmo, enquanto havia chance de fazê-lo ao menor custo de vidas americanas. Numa reunião com o Secretário da Guerra Americano, Robert Patterson, em 7 de maio de 1945 na Suíça [1], Patton sugeria que, dado o imenso problema de suprimentos que o Exército Vermelho enfrentava, “não vamos dar tempo a eles de arranjar suprimentos. Se dermos, teremos apenas vencido e desarmado a Alemanha mas teremos falhado na libertação da Europa; teremos perdido a guerra!”. Em mais uma de suas grandes tiradas, concluiu: “devemos manter nossas botas polidas, baionetas afiadas, e apresentarmo-nos fortes perante os russos. Esta é a única linguagem que eles entendem e respeitam”.

Patton foi deixado sem combustível na arrancada final para Berlin, todos os exércitos ocidentais pararam de avançar, por ordem de Roosevelt através de Eisenhower, até que os russos chegassem a Berlin, como ficara acertado nas reuniões entre os Três Grandes em Teheran e Yalta [2]. Já Stalin não cumpriu com nenhum dos acordos que assinara além de fazer mais exigências em Potsdam, que só foram aceitas pela covardia de Truman, só superada pela de Roosevelt nas duas anteriores. Roosevelt, um socialista declarado que pela primeira vez tinha posto a funcionar um programa socialista nos EUA – o New Deal – tinha uma fascinação pelo ditador soviético que chamava Uncle Joe, a quem acreditava que podia manobrar, sem perceber que era ele que estava sendo habilmente manipulado pelo titio.

A previsão de Patton não tardou em se realizar. O final da Segunda Guerra possibilitou o expansionismo da URSS para todos os países conquistados pelo Exército Vermelho. De comunismo num só país chegou-se a um bloco de 12 países submetidos à sovietização forçada na Europa Oriental, o que levou Churchill, num discurso em Fulton, Missouri, em março de 1946, a criar o termo “Cortina de Ferro”. Seguiram-se as tentativas de tomada da Grécia, da Turquia e do Irã. Já salvar a Áustria tinha sido muito difícil. O titio queria tudo! Além disto, a recusa da URSS em permitir que os países da Cortina de Ferro recebessem a ajuda do Plano Marshall, atacado como apenas mais um plano imperialista, o cerco a Berlin Ocidental e o reforço aos Partidos Comunistas na França e na Itália acabaram por, finalmente, abrir os olhos do Secretário de Estado americano George C. Marshall para com que tipo de gente estava lidando: como Patton dissera, com gente que só entende a linguagem da força! Com o início da reação americana estava instalada a chamada Guerra Fria. Porém, por não seguirem as palavras de Patton, foi preciso pagar o custo de inúmeras vidas americanas no leste da Ásia, com as tentativas expansionistas para a Coréia e posteriormente para a Indochina.

No entanto, a fome, a ineficiência administrativa e o fracasso da repressão maciça, o anti-semitismo declarado (em 1 de dezembro de 1952, numa reunião do Politburo, Stalin declarava que “todo judeu é um nacionalista e agente potencial da inteligência americana”) levou a uma crise geral no mundo comunista e ao abandono da segunda estratégia. A economia e a agricultura estavam em ruínas, o poder total era exercido pela polícia política. Surgiram guerrilhas nacionalistas nos países da Cortina de Ferro.

A morte de Stalin em 1953 desencadeou uma terrível luta interna no PCUS em que pereceram Lavrientii Beria e Andrieij Zhdanov, criador e diretor do Kominform. Em 1956, no XX Congresso do Partido, Khrushchov denuncia alguns – não todos! – “crimes de Stalin”, com o duplo objetivo de dar uma aparência de transparência e de salvar a ideologia comunista bastante desmoralizada pela truculência dos últimos anos, colocando toda a culpa no ex-ditador. O discurso, considerado secreto, “vazou” para toda a URSS um mês depois, o que evidencia que o segredo era conto da carochinha. Como Stalin já fizera com Trotsky, sua imagem some de todas as fotos oficiais. Foi este fato que inspirou Orwell a compor a atividade de seu personagem principal de 1984, Winston, no “Ministério da Verdade”. Após uma batalha final na luta pelo poder em 1957, contra os stalinistas descontentes do chamado “Grupo Anti-Partido”, liderado por Vyachieslav Molotov, Georgy Malienkov e Lazar Kaganovitch, Nikita Sergeyevitch Khrushchov assume a Primeira Secretaria do PCUS, elimina o Kominform, completando a conquista do poder em 1958 ao afastar Malienkov e tomar também o cargo de Primeiro Ministro da URSS. Em reunião secreta do Politburo em 1958 decidiu-se abandonar esta estratégia e foram elaboradas as linhas mestras da Terceira, que foi implantada paulatinamente até a Perestroika em 1985.

Em 1964 Khrushchov é derrotado no Comitê Central e afastado. Foi a primeira transição pacífica do regime e o primeiro líder soviético a morrer de causas naturais. Consoante a decisão de voltar à direção colegiada preconizada por Lenin, assume a “Troika”: Leonid Brezhnev, como Primeiro Secretário do Partido, Alieksiéi Kosygin, como Primeiro Ministro e Nikholai Podgorny como Presidente do Presidium do Soviet Supremo, cargo que veio a ser tomado por Brezhnev em 1977 até a sua morte em 1982.

SEGUNDA OFENSIVA MUNDIAL (1944-1985)

“The Soviet Union is a clear and present danger to America and the West (because) nothing less that the entire world can in the end, satisfy totalitarian imperialism”.


Arthur M. Schlesinger Jr., 1948



Como a guerra atingiu direta ou indiretamente todos os continentes, o pós-guerra imediato foi um período de acomodação e realinhamento político-ideológico mundial. Os fatos mais importantes deste período (1945 a 1964) foram:

1- Criação da Organização das Nações Unidas, 1945;

2- Criação do Estado de Israel, 1948;

3- Tomada do poder na China pelos comunistas em 1949;

4- Nasser e os oficiais nacionalistas tomam o poder no Egito, 1952;

5- Criação das bases do Movimento de Países Não-Alinhados na Conferência de Bandung, Indonésia, em 1955 pelos líderes da Índia – Jawaharlal Nehru – Egito – Gamal Abdel Nasser- e Iugoslávia - Josip Broz “Tito”;

6- Guerra da Indochina 1947-53 terminada com a derrota francesa para o Exército comunista de Ho Chi Minh e Vo Nguyen Giap, o Viet Minh, na Batalha de Dien Bien Phu, 1953-54. Criação de dois Vietnãs: o do Norte, comunista, e o do Sul, ainda sob influência européia que, com a retirada francesa, solicita o envio de “assessores militares” americanos;

7- Processos de descolonização na África e Ásia;

8- Revolta na Hungria, 1956

9- Nasser nacionaliza o Canal de Suez, 1956, Inglaterra, França e Israel invadem o Egito;

10- Castro toma Havana e declara-se comunista, Tratado de Amizade com Moscou. Toma novo impulso a ofensiva comunista na América Latina voltada principalmente para Venezuela e Brasil;

11- Crise de Berlin, 1961: Khrushchov ameaça interromper o tráfego entre a cidade de Berlin e a Alemanha Ocidental. Kennedy estuda a estratégia de “First Strike” (Atacar sem aviso prévio a URSS com mísseis nucleares, caso esta invadisse Berlin). Início da construção do Muro de Berlin;

12- Crise dos mísseis soviéticos em Cuba, 1961, bloqueio da ilha, retirada dos mísseis mediante garantia americana de que não interferiria em Cuba;

13- Cuba é expulsa da Organização dos Estados Americanos, 1962.

Em todos estes acontecimentos a URSS esteve presente. Em 10 de fevereiro de 1941 o General Walter Krivitsky, ex-chefe do GRU (Diretório Central de Inteligência – órgão militar), exilado nos EUA, foi encontrado morto em Nova York. As investigações [3] não conseguiram nenhuma evidência de assassinato, parecia suicídio mas muito providencial, pois três anos antes de sua morte Krivitsky havia convencido o membro do Partido Comunista Americano Whittaker Chambers a reconhecer que o comunismo não passava de mais uma forma de ditadura sem nenhuma ideologia que não a tomada do poder. Chambers não só reconheceu como denunciou vários ex-correligionários como Alger Hiss, funcionário do Departamento de Estado e seu irmão Donald, como membros do Partido e agente do GRU, a ninguém menos que o próprio Roosevelt que riu e mandou-o a um lugar não publicável [4]. Roosevelt não só riu como promoveu Alger. Tentativas de denunciar a Dean Acheson, Sub-Secretário de Estado, deram no mesmo.

Pois na Assembléia de fundação da ONU, o Secretário Geral nomeado por Roosevelt era exatamente Alger Hiss. A influência de Stalin na fundação da ONU, na elaboração de sua Carta e na escolha da sede, é inegável. A Carta defendendo direitos humanos que Stalin – e seus sucessores – jamais pretenderam obedecer, servia como uma luva para acusar os países ocidentais quando da ocorrência de qualquer deslize menor. A escolha de uma cidade americana, e de preferência próxima a Washington D.C., era fundamental para a infiltração de agentes sob o manto da proteção diplomática. Hiss também havia sido o arquiteto da Conferência de Yalta (fevereiro de 1945) [5] entre os três grandes, onde desempenhou papel importante na divisão do mundo em áreas de influência, garantindo à URSS uma parte leonina. A infiltração de agentes comunistas em postos chave do governo americano vem, portanto, desde a administração Roosevelt, como veio a ser revelado pelo Projeto Venona [6] de análise criptográfica dos documentos de fontes soviéticas que vieram a confirmar também a atuação do casal Rosenberg na transmissão de informações nucleares americanas para a URSS. Já aqui funcionou a pleno vapor o aparelho de denúncias de violação dos direitos humanos, enquanto Stalin prendia, torturava e matava à vontade.

Em 1948, quando trabalhava na revista Time, Chambers foi chamado a depor no Comitê de Atividades Anti-Americanas da Câmara de Representantes (HUAC) e reafirmou as acusações produzindo inclusive evidências inegáveis através de microfilmes de 65 documentos datilografados por Hiss (a máquina foi identificada pelos laboratórios do FBI) em 1938, contendo cópias de documentos secretos roubados pelo próprio. Estes papéis ficaram conhecidos como os Pumkin Papers [7]. Chambers reuniu todas as evidências e a história do período em seu livro Witness [8] e, embora atacadas como mentirosas por toda a intelectualidade esquerdista da época, têm sido confirmadas uma a uma pela abertura de todos os documento secretos. Estas revelações e também o desrespeito por Stalin aos acordos de Yalta, principalmente a prisão dos membros do Governo Polonês Provisório no Exílio, criaram nos EUA – e no mundo em geral – um quase consenso anti-comunista [9]. Este consenso tinha que ser destruído e no seu lugar criar um outro: a demonização do anti-comunismo.

O ano de 1948 é também o da candidatura radicalmente esquerdista de Henry Wallace à Presidência dos EUA e das peripécias da esquerda americana que se lhe seguiram, já contadas por mim em outro artigo [10]. A infiltração na área cultural americana continuou e se intensificou seguindo os passos de Münzenberg. De maneira geral, toda a mídia e o show business americano foram devidamente doutrinados pelos agentes soviéticos e a grande maioria de escritores, cineastas, redatores da mídia, artistas, etc. se tornaram facilmente companheiros de viagem. No mês de agosto do mesmo ano reunia-se em Breslau (hoje Wroclaw), Polônia, a “Conferência Cultural pela Paz”, convocada pelo Kominform através dos já companheiros de viagem europeus, numa “Carta Aberta aos Escritores e Homens de Cultura dos Estados Unidos”. Os americanos que compareceram prepararam imediatamente outra reunião no Hotel Waldorf Astoria, Nova Iorque em 1949, denominada “Conferência Cultural e Científica pela Paz Mundial” que contou com o apoio explícito de Albert Einstein, Charlie Chaplin, Leonard Bernstein, Pablo Picasso e muitos outros nomes famosos. Um mês depois, reunia-se em Paris o “Congresso Mundial da Paz”. O alvo principal destes movimentos era liquidar o Plano Marshall que apontava para uma rápida recuperação da Europa não dominada por Stalin[11] que estagnava num império de repressão, decadência moral e econômica. A comparação era, obviamente, temida.

Os intelectuais anti-comunistas planejaram uma contra-ofensiva. Entre eles estavam George Orwell, Anthur Koestler (que tinha sido garoto propaganda de Münzenberg), Hanna Arendt, Melvin Lasky, Raymond Aron e Sidney Hook, Diretor de “Americanos pela Liberdade Intelectual”. Mas a reação era tímida pois depois do brado de Sartre – “todo anti-comunista é um rato!” - mesmo os escritores mais famosos encontraram dificuldade para publicar suas obras.

No movimento anti-comunista deve-se destacar a ação do Comitê de Atividades Anti-Americanas (HUAC). Existindo de forma provisória desde 1938 tornou-se permanente em 1945 quando passou a investigar as atividades comunistas na indústria cinematográfica. Seu maior feito, como já foi descrito acima foi a investigação sobre os irmãos Hiss. Mas somente em 1946, com o Partido Republicano assumindo a maioria na Câmara, o Comitê, agora presidido por J. Parnell Thomas, passou a investigar a fundo a penetração comunista em Hollywood. Para não entrar em muitos detalhes selecionei o testemunho neste Comitê da escritora Ayn Rand, russa de nascimento, tendo fugido em 1926 e anti-comunista convicta. Rand foi uma das denunciantes e desafiada a mostrar o que via como propaganda na produção cinematográfica deu um impressionante e arrasador testemunho sobre o filme The Song of Russia, de 1941, estrelado por Robert Taylor, que vale a pena ser lido na íntegra por todos aqueles que sabem que as produções artísticas – mormente filmes, teatro e novelas – são propaganda mas não têm idéia do como se faz [12], pois Rand disseca o filme com excepcional maestria. Rand, sem dúvida uma das maiores defensoras da liberdade de pensamento, assim se expressou quando foi condenada por denunciar colegas: “O princípio de liberdade de expressão requer que não passemos leis proibindo (os Comunistas) de falar. Mas este princípio não implica em que devemos dar a eles emprego e apoio para defenderem nossa destruição às nossas custas”.

Este Comitê é freqüentemente – e propositadamente – confundido com o Comitê sobre Operações Governamentais do Senado a cujo Sub-Comitê Permanente de Investigações pertencia o Senador Joseph McCarthy. A confusão é de um primarismo atroz, pois um Senador jamais poderia fazer parte de um Comitê da Câmara. Apesar disto, colou e até hoje a confusão se mantém. McCarthy foi um presente dos deuses para os comunistas americanos e de todo o mundo, pois deu aos inimigos do anti-comunismo o que eles vinham esperando desde o início da Guerra Fria: um nome e uma cara onde colocar o velho estereótipo de fascista anti-comunista histérico. Segundo Powers (op.cit.) McCarthy foi o maior desastre na desastrada história do anti-comunismo da América. McCarthy começou sua carreira anti-comunista em 1950 – três anos após o depoimento de Ayn Rand – com um discurso em que dizia ter uma lista de 205 nomes de altos funcionários do governo federal que eram agentes soviéticos. Sua atuação foi de tal modo histérica que não demorou para que até mesmo republicanos achassem exagerado, solidificando a idéia de que o anti-comunismo não passava de delírios furiosos de um maluco. Iniciava-se a grande mitologia da “Era McCarthy”, do “macartismo” que teria mergulhado os EUA num reino de terror. Peter Collier e David Horowtiz (citados por Monica Charen, op. Cit.) descreveram em 1989 que “trinta anos após a morte de Joe McCarthy, o macartismo se tornou sinônimo de autoridade sinistra e repressão política... indivíduos e partidos (complemento eu: mundo afora) competem em rotular outros com o macartismo como o trunfo moral com o qual paralisam automaticamente qualquer argumento”. Quem não ouviu alguém dizer, em tom de suprema indignação moral: isto é macartismo!

Pois o uso que a eficiente contra-propaganda soviética fez deste mito, confundindo investigações sérias com estridências delirantes, fez com que todos os envolvidos tanto em Hollywood como no governo fossem vistos como pobres vítimas inocentes. A verdade é bem outra. Hollywood estava mesmo infestada de agentes soviéticos. E as poucas dezenas de funcionários federais que McCarthy conseguiu acusar, através do Projeto Venona e da abertura dos arquivos secretos soviéticos autorizada por Yeltsin, revelaram-se mais de 300 agentes soviéticos infiltrados nos governos Roosevelt e Truman. Ann Coulter (op. cit.) cita no primeiro escalão, além dos irmãos Hiss, Harry Dexter White, Sub-Secretário do Tesouro, Lauchlin Currie, Assistente Administrativo de Roosevelt, Duncan Lee, Chefe do Estado-Maior do Office of Strategic Services (OSS) antecessor da CIA, Harry Hopkins, Assistente Especial de Roosevelt, Henry Wallace, Vice-Presidente 1940-1944 (depois candidato radical), Harold Ickes, Secretário do Interior, e muitos, muitos mais.

Antes de passarmos à América Latina é preciso mencionar um movimento que se não foi fundado diretamente por Moscou, teve sua influência e apoio: o Movimento de Países Não Alinhados (NAM) [13]. O termo foi cunhado pelo Primeiro Ministro da Índia, Jawaharlal Nehru num discurso no então Ceilão (hoje Sri Lanka) onde definiu seus cinco pilares: 1. respeito pela integridade territorial, 2. não agressão mútua, 3. não interferência em assuntos internos dos outros países, 4. benefícios mútuos e igualitários e 5. co-existência pacífica. Em 1955 em Bandung, Indonésia, são lançadas as bases do movimento, embora somente em 1961, em Belgrado, Iugoslávia, ocorreu a primeira reunião de cúpula organizada por Nehru, Nasser e Tito e apoiada por Ahmed Sukarno, Presidente comunista da Indonésia. Compareceram 25 países da África, Ásia e Cuba, um país obviamente alinhado com a URSS. O movimento – que defendia um distanciamento igual dos dois blocos na Guerra Fria – existe até hoje com outros propósitos como o Grupo dos 77.

Enquanto durou a Guerra Fria a URSS usou seus fortes laços com Cuba e Índia e os da China com o Paquistão, o Vietnã e a Indonésia, para fazer do NAM uma espécie de amortecedor de suas próprias ações agressivas, principalmente em referência aos itens 3. e 5. acima, como argumentos utilizados sempre que era acusada de ferir os “direitos humanos” retrucando que não admitia ingerências ns sua política interna; enquanto freqüentemente interferia em diversos países, como veremos a seguir, especificamente na América Latina.

A SEGUNDA OFENSIVA NA AMÉRICA LATINA

A guerra revolucionária é uma luta de classes, de fundo ideológico, imperialista, para a conquista do mundo; tem uma doutrina, a marxista-leninista. É uma ameaça para os regimes fracos e uma inquietação para os regimes democráticos. Perfaz, com outros, os elementos da guerra fria. (...) concebida por Lenin para, de qualquer maneira, continuar a revolução mundial soviética.


Marechal Castello Branco, 1962

Como no resto do mundo, as Embaixadas Soviéticas eram centros de espionagem e entre seu pessoal diplomático constava uma rezindientura, uma “residência” do KGB e outra do GRU (militar). O rezidient do KGB, chefe da espionagem no país, tinha funções mais importantes do que o Embaixador e freqüentemente era hierarquicamente superior. É preciso reafirmar que todos os órgãos comunistas no exterior – visíveis ou clandestinos – têm uma única finalidade estratégica permanente: a conquista mundial, no que difere do serviço diplomático dos países democráticos, cujos órgãos secretos realizam principalmente operações de informação e contra-informação e só acessoriamente em casos extremos de intervenção direta nos assuntos internos dos países em que estão como representantes. O mesmo se pode dizer dos Partidos Comunistas, tenham o nome que tiverem, que jamais são partidos que representem interesses nacionais ou mesmo regionais, mas sempre são representantes do movimento comunista internacional do momento, seja o Komintern, o Kominform, a OLAS, o Foro de São Paulo, etc. Ainda hoje, como veremos a seguir na Parte III, as Embaixadas russas têm a mesma função.

Entre 1945 e 1959 a estratégia mundial era baseada na chamada “visão etapista” [14], segundo a qual há necessidade de uma etapa nacional-burguesa ou nacional-desenvolvimentista, que sob a égide e comando da burguesia permitiria a melhor organização dos trabalhadores e a superação dos óbices históricos do modo de produção capitalista, em particular, o latifúndio. Era preciso identificar uma burguesia nacional capaz de contrapor-se aos interesses dos demais países capitalistas e criar um capitalismo nacional autônomo. Por esta razão o Partido Comunista Cubano sempre procurou alianças com partidos burgueses tradicionalmente nacionalistas, e como já foi dito, apoiou firmemente o governo de Fulgencio Batista até sua dissolução com a fuga dos principais líderes e a chegada iminente de Castro a Havana.

Castro, inicialmente se auto-declarava católico (foi criado em colégios jesuítas) e até pousou para fotos de terço ao pescoço. Para o PCC Castro não passava de um aventureiro. Membro do Partido Socialista Popular e da Liga Anti-Imperialista 30 de Setembro desde 1946, viajou para Panamá, Venezuela e Colômbia em 1948 em preparação para o Congresso Latino Americano de Estudantes. Neste último país, onde se realizava então a 9a Conferência Pan-Americana, logrou entrevistar-se com o líder do Partido Liberal, Jorge Eliecer Gaitán, que horas depois foi assassinado, iniciando-se o movimento que veio a ser conhecido como Bogotazo [15], uma revolta popular que representa um primeiro ataque comunista direto no continente, na qual Castro faz seu batismo de fogo. A intenção era destruir a Conferência onde se estudavam medidas contra a ofensiva comunista que se iniciava na América do Sul e derrubar o Governo conservador colombiano. Castro, juntamente com Alfredo Guevara, Olivares e Rafael Del Pino tomam parte ativa no movimento que também foi apoiado por Rómulo Betancourt, então ditador da Venezuela. Com a derrota, de volta a Havana Castro adota como seu livro de cabeceira o Que Fazer? de Lenin. Em 1953, com a derrota na tentativa de tomar o Quartel Moncada refugia-se no México aonde vem a conhecer Ernesto “Che” Guevara, General Bayo e outros comunistas. A tomada do poder por Castro em 1959 marca uma profunda e radical mudança da ofensiva comunista na América Latina.

Como relata com rigor histórico Percival Puggina [16]: “Dissolveu-se o Congresso, desmontaram-se os partidos existentes, cassaram-se direitos políticos, instalaram-se tribunais revolucionários, cujas sentenças não estavam sujeitas a recursos, suspendeu-se o direito ao habeas corpus, emitiram-se leis que permitiram o seqüestro de bens, inclusive bens de cubanos residentes no exterior que praticassem atos contra a revolução, e instituiu-se a pena de morte para os delitos contra o novo regime” (p. 38). No final do ano de 1959, já não havia dúvida de que Fidel Castro não era o herói da democracia em que muitos acreditaram, e sim um ditador comunista. No início do ano seguinte, 1960, o ditador faz a reforma agrária e a nacionalização de refinarias de petróleo, empresas comerciais, bancos e estabelecimentos industriais. O comunismo chegara à antiga Pérola do Caribe. Fidel Castro continuou governando o país com mão-de-ferro por quarenta e cinco anos, num regime de partido único, com a proibição de qualquer tipo de oposição”.

Com esta importante base territorial ao mesmo tempo dentro da América Latina e a poucas milhas ao sul do execrado inimigo, a URSS se viu subitamente fortalecida. A estratégia baseou-se fundamentalmente na ofensiva contra dois países chaves da região: Venezuela e Brasil. Chamo aqui atenção para o que está ocorrendo hoje e será objeto da parte III: não é coincidência que o atual eixo seja novamente Havana-Caracas-Brasilia, é estratégia de longo prazo profundamente estudada e sistematicamente seguida! Esta pode ser a principal contribuição desta série de artigos.

O primeiro país, por estar nadando num mar de petróleo e com isto podia – e ainda pode – realizar duas tarefas revolucionárias simultâneas: fornecer o petróleo aos aliados comunistas e negá-lo aos EUA no caso de conflito armado. Contrariando a tradicional mentira de que os revolucionários sempre lutaram contra as ditaduras (como em Cuba), a Venezuela gozava da mais ampla democracia sob o governo agora legitimamente eleito de Rómulo Betancourt (1959-1964) que pusera fim a 60 anos de sucessivas ditaduras, golpes de Estado, “pronunciamientos” e “governos provisórios”. Betancourt foi o segundo Presidente eleito em eleições diretas no século XX e o quarto em toda a história venezuelana, sendo que o anterior, Rómulo Gallegos, eleito em 1948, foi derrubado no mesmo ano pelo Tenente Coronel Carlos Eduardo Chalbaud. Como fosse impossível a infiltração comunista no governo – embora Betancourt tenha sido acusado de “homem de Moscou” por ter tomado parte do Bogotazo – os ataques ao país foram violentos. As praias caribenhas da Venezuela estavam coalhadas por constantes invasões de barcaças cubanas transportando armas russas e tchecas. Movimentos guerrilheiros eram estimulados e derrotados pelo governo que continuou a transição democrática até o golpe de Hugo Chávez.

Já o Brasil, por ser o maior, mais rico em recursos naturais, com uma estrutura agrária que embora antiquada era extremamente promissora e em vias de industrialização acelerada no governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitstchek, despertava a cobiça internacional, não só aos comunistas diga-se de passagem. Mas aqui foi diferente pois encontrou um governo dócil ao comunismo na figura de João Goulart.

A meu ver - opinião que reconheço exposta a muitas críticas – o governo Goulart é fruto de um erro cometido na Constituição de setembro de 1946. Recém saídos da ditadura Vargas os Constituintes quiseram estabelecer uma Constituição o mais democrática possível e incorreram em alguns erros, sendo um deles a eleição em chapas separadas do Presidente e do Vice-Presidente. Já no primeiro governo após Dutra (1946-51) quando foi eleito o ex-ditador Getúlio Vargas, o seu vice foi de outro Partido, Café Filho. Getúlio aproximou-se muito das esquerdas, principalmente com a nomeação de João Goulart para Ministro do Trabalho, desde então um populista de esquerda. Um ano após o suicídio de Getúlio este dispositivo já deu problemas pois apesar das eleições terem dado a vitória a Juscelino Kubitschek e Goulart para Vice (agora numa coligação PSD/PTB), setores anti-comunistas tentaram impedir a posse dos mesmos, que veio a ser sustentada pelo então Ministro da Guerra Henrique Duffles Teixeira Lott, com o apoio explícito do General Humberto de Alencar Castello Branco que veio a romper com o mesmo quando, meses depois, as organizações sindicais resolveram entregar ao ministro uma espada de ouro.

Delineava-se aí o incremento da ruptura dentro das Forças Armadas que viria a desabrochar claramente em 1961 e depois em 1965. Lott foi o candidato a Presidente pela coligação PTB/PSD e mais uma vez Goulart a Vice. Nas eleições de 1960 ocorreu o que poderia ser previsto. Jânio Quadros, candidato apoiado pela UDN – mas contra alguns de seus principais líderes como Carlos Lacerda – tinha como candidato a Vice o mineiro Milton Campos. Os eleitores escolheram Jânio e Jango e com a renúncia do primeiro 7 meses após a posse formou-se a confusão, habilmente solucionada pela adoção do regime parlamentarista para que Jango fosse aceito pelos setores anti-comunistas. Digo habilmente mas não eficientemente, pois desde então até março de 1964 o Brasil foi quase pura agitação. Num artigo anterior [17] faço um relato destes tempos atribulados. Num plebiscito de resultados duvidosos em janeiro de 1963, volta-se ao regime presidencialista e o governo até então razoavelmente contido no seu afã esquerdista, entra em fase de implantação de uma ditadura sindicalista no Brasil. É neste ponto que defendo que se as chapas fossem únicas, com a posse de Milton Campos, um valoroso e intransigente democrata, a história do Brasil seria bem outra.

Todas as organizações populares fundadas ao longo da ditadura Vargas – sejam sindicatos, sejam órgãos previdenciários – apesar de terem trazido algum benefício de curto prazo para a população, tinham a principal finalidade de funcionar como massa de manobras, a tal ponto que se criou o termo “pelego” para os líderes sindicais, evidenciando que serviam apenas de suportes para a sela em que os dirigentes montavam. Estas organizações foram utilizadas por todos os governos – e ainda o são – mas principalmente na era Goulart serviam de suporte para os desmandos do governo federal e seus acólitos. Com seu apoio Goulart tentou passar no Congresso as “Reformas de Base”, passo inicial para sua futura ditadura personalista sindical com forte influência comunista.

Sucede que o Brasil daquela época contava com líderes anti-comunistas civis e militares de primeira grandeza. Só para citar alguns Governadores: Lacerda no Rio, Adhemar de Barros em São Paulo, Magalhães Pinto em Minas, Ildo Meneghetti no Rio Grande do Sul, etc. Possuíam também maioria no Congresso Nacional, apesar das estridências das esquerdas. As altas patentes militares, formadas por ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ou seus discípulos diretos. A Igreja Católica era pré-Teologia da Libertação e maciçamente se opunha à comunização do País.

O povo brasileiro levantou-se em massa contra os projetos janguistas e comunistas, principalmente após o apoio do Presidente à insubordinação hierárquica dos sargentos e fuzileiros e do Comício da Central do Brasil [18] de 13 de março de 1964, onde Leonel Brizola pregou abertamente o fechamento do Congresso e o apoio comunista ficou ainda mais patente nos discurso e nas faixas e cartazes. Nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade, entre as quais a principal foi em São Paulo [19], exigiram a manutenção do regime democrático no que foram plenamente atendidas pelas forças armadas e pelo Congresso Nacional onde até mesmo o democrata ex-Presidente Juscelino Kubitschek, então Senador por Goiás, apoiou o movimento. Não foi portanto um “golpe de Estado” para implantar uma ditadura “fascista” mas um legítimo movimento contra-revolucionário para impedir uma ditadura comunista. Foi então abortada a primeira leva desta segunda ofensiva não apenas no Brasil mas momentaneamente provocou um arrefecimento da ofensiva em todo o Continente e a necessidade de elaborar uma nova estratégia regional.

A RESPOSTA: A CONFERÊNCIA TRICONTINENTAL DE HAVANA

A resposta foi dada por Cuba através da Conferência Tricontinental dos Povos Africanos, Asiáticos e Latino-Americanos reunida em Havana em 3 de janeiro de 1966[20]. Compareceram 83 grupos de vários países dos três continentes, com 513 Delegados, 64 Observadores e 77 Convidados. 27 países latino-americanos estavam representados. A delegação soviética era a maior de todas com 40 membros. Foi estabelecido em Havana o quartel-general para apoiar, dirigir, intensificar e coordenar operações guerrilheiras e terroristas nos três continentes. O “imperialismo norte-americano” foi eleito o principal inimigo.

Moscou assume a plena liderança afastando a influência chinesa mas, paradoxalmente, o pensamento maoísta se torna predominante. O primeiro orador foi Nguyen Van Tien, delegado da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul, Viet Cong. O segundo foi Tran Danh Tuyen, representante no Vietnam do Norte exigindo a imediata rendição das tropas americanas no Sul.

A Resolução Geral aprovada incluiu: 1. a condenação do imperialismo ianque; 2. o imperialismo ianque é o maior inimigo de todos os povos do mundo; 3. o imperialismo ianque constitui a base para a opressão dos povos; 4. proclamou o direito dos povos de enfrentar o imperialismo com violência revolucionária, as “guerras de libertação nacional”; 5. condenou vigorosamente o imperialismo ianque pela “agressão” ao Vietnam do Sul; 6. proclamou a solidariedade com a luta armada dos povos da Guatemala, Venezuela, Peru e Colômbia; 7. condenou a política agressiva do governo americano e seus aliados “fantoches” contra o Camboja e outros povos da Indochina; 8. condenou o bloqueio americano contra Cuba. O brado final foi “formar vários Vietnams em escala tricontinental para a derrota final do imperialismo”.

Como Cuba havia sido expulsa da OEA em 1962, era necessário desmoralizar esta Organização. Aprovou-se uma resolução dizendo que a OEA “não tem autoridade legal nem moral para representar as nações latino-americanas. Que a única organização que poderia representá-las seria uma composta de governos democráticos e anti-imperialistas que fossem o produto genuíno da vontade soberana de todos os povos da América Latina”. Esta organização já estava para ser formada poucos dias depois e seria a Organización Latino Americana de Solidariedad (OLAS). Antes de abordá-la brevemente cabe uma advertência.

Mais uma vez chamo a atenção para o seguinte: tal como a fundação do Foro de São Paulo em 1990, a Conferência Tricontinental foi convocada para salvar o regime castrista da falência, pois segundo dados estatísticos e testemunhos como o de Juanita Castro Ruz, irmã de Fidel que fugiu de Cuba em 1964, os camponeses se recusavam a trabalhar no campo para o Estado, pois apoiaram Fidel por sua promessa de lhes dar títulos de propriedade e o governo se apossava de todo seu trabalho mediante as cooperativas de tipo soviético que foram implantadas. Mesmo Fidel tendo obrigado funcionários públicos, estudantes e até crianças para fazer a colheita que os camponeses recusavam – é claro que o programa foi apresentado pela amordaçada imprensa cubana e pelos fantoches da mídia mundial, como exemplo de solidariedade para ajudar os camponeses numa colheita monstro! - Cuba produziu somente 3½ toneladas de açúcar quando em 1952 os “pobres camponeses expropriados” do regime capitalista produziram 7 milhões, portanto 100% a menos após a “libertação” dos camponeses! Em 7 de janeiro do mesmo ano a cota pessoal de arroz foi baixada pela metade, de 3 para 1½ quilos por mês. Todo governo capitalista falido que quer se manter no poder imprime mais dinheiro e gera inflação; o regime comunista só pode se manter exportando sua falência para outros países.

Para isto serviria a OLAS, fundada imediatamente após o final da Conferência Trilateral, pela unanimidade dos representantes latino-americanos, por proposta do então senador chileno Salvador Allende para, declaradamente, levar avante “as táticas e estratégias revolucionárias”, mas de imediato, financiar o déficit cubano. Tanto é verdade que a URSS percebeu isto e como estava interessada em não interromper a importação de trigo da Argentina, manda a Havana o Primeiro-Ministro Aleksiéi Kossigin em junho de 1967 pedindo o adiamento das ações da OLAS, o que Fidel recusa e a URSS, provisoriamente, suspende a ajuda a Cuba.




Leia também: As raízes históricas do Eixo do Mal Latino-Americano - Parte I

A SEGUIR: CONSEQÜÊNCIAS NO BRASIL – A LUTA ARMADA – A TERCEIRA ESTRATÉGIA – GRAMSCI E A ORGANIZAÇÃO DA CULTURA – A TERCEIRA OFENSIVA: O EIXO DO MAL E SUAS CONEXÕES CONTINENTAIS E EXTRA-CONTINENTAIS

Notas:
[1] http://natall.com/national-vanguard/assorted/patton.html

[2] http://www.trumanlibrary.org/whistlestop/BERLIN_A/BOC.HTM , mesmo link para A Conferência de Potsdam

[3] http://foia.fbi.gov/foiaindex/krivit.htm

[4]Ann Coulter, Treason: Liberal Treachery from the Cold War to the war on Terrorism, Three River Press, 2003

[5]http://en.wikipedia.org/wiki/Yalta_conference

[6] http://www.piedmontcommunities.us/servlet/go_ProcServ/dbpage=page&gid=01325001151050417428684380 e http://www-hoover.stanford.edu/pubaffairs/newsletter/99summer/venona.html

[7] http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/hiss/pumpkinp.html e http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/hiss/hissaccount.html

[8] Cit. in Hilton Kramer, The Twilight of the Intellectuals: Culture and Politics in the Era of Cold War, Ivan R Dee, Chicago, 1999

[9] Monica Charen, Useful Idiots, Regnery Publishing Inc., Washington D.C., 2003

[10] A América Dividida – Parte II

[11] Richard Gid Powers, Not Without Honor: The history of American Anticommunism, Yale Univ, Press, 1998

[12] http://www.noblesoul.com/orc/texts/huac.html

[13] http://www.nationmaster.com/encyclopedia/Non_Aligned-Movement, com vários links

[14] Ver de Carlos Azambuja

[15] http://www.icdc.com/~paulwolf/gaitan/gaitanbogotazo.htm

e http://www.amigospais-guaracabuya.org/oagmp064.php

[16] A Tragédia da Utopia, Porto Alegre: Literalis, 2004

[17 ] Desfazendo Alguns Mitos sobre 64

[18] http://www2.uol.com.br/rionosjornais/rj46.htm

[19] http://www1.folha.uol.com.br/folha/almanaque/brasil_20mar1964.htm

[20] http://www.latinamericanstudies.org/tricontinental.htm
 

 
MSM 13 de agosto de 2005