O ENTERRO DO NATIMORTO
 

 

O ENTERRO DE UM NATIMORTO

Heitor De Paola

08/10/2003

Uns dois ou três graus a mais,
até que não seria de todo mau.
A Rússia é um país muito frio!


Vladimir Putin



A observação acima, feita com muito sarcasmo pelo Presidente da Federação Russa, colocou a última pá de cimento na sepultura do feto teratológico já abortado e devidamente enterrado, o Protocolo de Kyoto. Feito sob medida por uma constelação de ecochatos das ONGs "ambientais", países subdesenvolvidos, e a onipresente e maléfica ONU, era uma óbvia tentativa de paralisar o progresso dos países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos. Baseava-se em estatísticas falaciosas sobre o suposto "aquecimento global" pela emissão de gases poluentes - não por coincidência aqueles exalados pelos mais modernos produtos da tecnologia ocidental.


Quando estava na Casa Branca Clinton assinou e comprometeu-se a ratificar o Protocolo, como já fizera também com o fornecimento de segredos nucleares à China Comunista e o levantamento do embargo ao programa nuclear da Coréia do Norte. Obviamente, tinha que satisfazer os financiadores da campanha de seu candidato, Al Gore. Bush, que já havia sido advertido por seus assessores mais próximos dos riscos inerentes para a indústria americana, recusou-se a ratificar. A meu ver, o fez com toda razão, mas precocemente.



Como é da tradição diplomática anglo-saxônica, falta a malícia e a matreirice que sobram nos países latinos e, especialmente, nos asiáticos e eslavos. Putin já sabia desde o início que não iria assinar o atestado de óbito do desenvolvimento russo, para não levar seu país de volta à idade média em termos tecnológicos. Dos países signatários nenhum, absolutamente nenhum, se adaptou às regras do protocolo que assinaram com tanta pompa e circunstância - também era puro jogo de cena, ou como se diz no futebol, jogo pra galera!


Na verdade, a grande jogada era levar os Estados Unidos a fazer exatamente o que fez, para começarem as críticas de que Bush é o servo dos industriais americanos, pouco está se importando com a sobrevivência do planeta - como se os americanos vivessem em Marte! - mostrando a face antipática do "unilateralismo imperial ianque", em oposição à tão decantada "comunidade internacional" - esta sim preocupada com o meio ambiente. Só faltaram ressuscitar a desgastada expressão cunhada pelos gauleses, "complexo industrial-militar".

Não é sintomático que ninguém, nem os verdes europeus, nem o indefectível Gabeira, tenha protestado com a mesma sanha assassina contra a atitude russa? Um protestinho aqui, outro acolá, logo esquecidos. Pudera, Putin espertamente reafirmara quase simultaneamente a pretensa soberania sobre os países incluídos no território da antiga URSS, declarando-os "zona de influência da Federação Russa", causando orgasmos na esquerda de todo o mundo - inclusive nos "nacionalistas" brasileiros.



Tais críticas, como não pode deixar de ser para terem um mínimo de credibilidade, baseavam-se no fato incontestável de que os Estados Unidos são os que mais emitem gases tóxicos para a atmosfera. Mas, matreiramente, deixavam de lado o fato de que são, ao mesmo tempo, os que mais protegem o meio ambiente com uma tal quantidade de leis e normas técnicas que encarece terrivelmente os produtos emissores.

Pergunte-se a uma dona de casa americana o aumento astronômico do preço dos eletrodomésticos, principalmente as máquinas de lavar, em função de novos apetrechos para diminuir a poluição. Aonde foram inventados os aparelhos que diminuem a emissão de gases pelos veículos automotores? Em que país foram primeiro retirados de circulação os aviões fumarentos e barulhentos, tipo Boeing 707, por eles mesmos produzidos? O Brasil teve que proibir - embora contrariando a ideologia tucana de apoio à ilha-cárcere - o pouso dos Illyushins da Cubana de Aviación - de fabricação da proletária URSS.



Enquanto nas estradas americanas - e também nas brasileiras! - pode-se sentir o cheiro do mato, aquelas de alguns países europeus fedem a diesel ou gasóleo, como se chama em Portugal, porque o uso de catalisadores - invenção americana, by the way! - não é obrigatório. Este é um ponto em que o Brasil pode se orgulhar por ter seguido as normas inventadas pelos Estados Unidos, muitos anos antes de quaisquer protocolos multilaterais.

Até o momento, 84 países assinaram e 119 ratificaram o natimorto Protocolo, sendo que dos grandes poluidores, França e China Comunista o fizeram com ressalvas. A primeira excluiu as possessões Ultramarinas a última, as regiões administrativas "autônomas" de Hong Kong e Macau. (Tudo sobre o Protocolo pode ser encontrado AQUI).


A resposta de Bush, após recusar-se a ratificar, não tardou, veio no discurso sobre o Estado da União, num trecho que despertou pouca atenção porque todas estavam voltadas para invasão do Iraque - "obviamente" para se apossar das reservas de petróleo daquele democrático país. Afirmou Bush que "todos os esforços serão envidados para desenvolver novas formas de energia não poluidoras, principalmente o uso de hidrogênio como propelente para veículos automotores, ainda nesta década".


Lembro quando Kennedy prometeu que antes do final de década de 60 os americanos colocariam um homem na superfície lunar. E a stars and stripes foi hasteada lá em julho de 1969. Quem viver verá! Mas as críticas também já são previsíveis: os Estados Unidos, únicos com capacidade econômica para controlar as reações termonucleares vão dominar o mundo, levar os países produtores de petróleo à falência e à miséria. Será o equivalente ao projeto Star Wars que liquidou com a URSS.

Bem, é bom mesmo os líderes destes últimos porem suas barbas de molho, pois correm o risco de verem seu grande instrumento de chantagem virar um mico preto - literalmente, devido à cor do pegajoso líquido. Pior para a ordem cósmica universal será os funcionários sanguessugas da Petrossauro ficarem desempregados.



 

 
MSM em 08 de outubro de 2003