DIA DE JERUSALÉM

 

Yom Yerushalayim



יום ירושלים



Senhores Deputados,

Como especialista no Oriente Médio, tomei conhecimento do convite para a homenagem que esta Câmara fará ao Dia de Jerusalém, em 12 de Junho próximo. Afinal Jerusalém, a capital do Reinado de David e Salomão, a capital do Reino de Judá, a cidade sagrada para os judeus há 3016 anos, sagrada para os cristãos há 2019 anos e, mais recentemente, também sagrada para os Islâmicos, é digna de toda e qualquer homenagem.

No entanto, chamou-me a atenção que o convite não menciona o nome do Embaixador do Estado de Israel, Yossi Shelley, o representante legal do país que tem sua capital em Jerusalém.

Os antecedentes desta homenagem preocupam sobremaneira pois no ano passado, sob este mesmo título, a Câmara pareceu mais destilar ódio racista contra a cidade de Jerusalém e o povo que lá vive, que a homenagear.

Pensando de forma correta, além de ofensivo é ridículo incluir no convite o Irã, que não tem nenhuma relação com Jerusalém além do fervoroso ódio aos judeus que a habitam. O Irã é um país que promove e financia o terrorismo na Europa, no Oriente Médio, nas Américas e na África, propondo-se de forma aberta a bombardear Israel com armas atômicas. Aqui deve ser lembrado que não existem quaisquer disputas fronteiriças entre os dois países que possam justificar tais ameaças.

Na época em que o Irã era denominado Pérsia existiram dois períodos de ligação, ambos positivos, com Jerusalém:




1- Ciro autorizou a reconstrução do Templo Judaico no ano 538 Antes da Era Comum, ou seja, há 2557 anos e



2- Os persas da dinastia Sassânida se uniram aos judeus em 614 da Época Comum, portanto há 1405 anos, reconquistando Jerusalém e dando-lhes liberdade de culto.






No entanto, desde que a Pérsia se transformou no atual Irã, sob o controle extremista dos aiatolás, dela apenas emana ódio, terror, destruição, intimidação e ameaça de mutilação sobre a sagrada Jerusalém. Associar o Irã a Jerusalém chega a ser ultrajante! Além do mais, correm os senhores o risco do embaixador iraniano rir do seu desconhecimento sobre o Oriente Médio e considera-los tolos.

O outro "embaixador" convidado representa um Estado inexistente, I.e. o "Estado da Palestina", o qual não  existe e jamais existiu. Mais uma vez, esta é uma oportunidade única para evitar serem considerados tolos ou mal informados.  Só a título de informação, para que tal espaço seja considerado um Estado é importante que as seguintes questões sejam respondidas:




A- Quais as fronteiras históricas do país?



B- Qual a moeda que foi ou é emitida por ele?



C. Por que a Jordânia, que controlava Jerusalém Oriental até 1967, jamais tornou Jerusalém sua capital?  Afinal, a grande maioria da população jordaniana se dizia, e se diz, "Palestina".



D. Se algum dia os assim chamados "palestinos" desejaram ser um Estado, por que razão recusaram a partilha do Mandato Britânico proposta pela ONU em 1947, sob presidência do Brasileiro Oswaldo Aranha?

Senhores deputados, na verdade o convite, tal como formulado, parece ser uma clara tentativa de reviver a propagação do ódio destilado há anos contra Israel, além de mostrar absoluto desconhecimento da história da região. Ainda há tempo para corrigir tal erro e mostrarem conhecimento sobre a região, evitando um vexame desnecessário.

Convidem quem realmente representa Jerusalém, i.e. o Embaixador de Israel e  os representantes das três grandes religiões monoteístas que tem representantes em Jerusalém (sabendo que apenas os judeus e os cristãos tem relação histórica com a mesma).  Somente desta forma haverá uma comemoração condigna do Dia de Jerusalém. Como está agora, passa apenas a impressão de ignorância ou de ma fé.




 




Respeitosamente,

Profa. Sônia Bloomfield

University of Maryland University College

EUA

(Cidadã brasileira)