MOURÃO E OS NEGÓCIOS DA CHINA

 

Office boy Mourão e os negócios da China



Ipojuca Pontes



26/05/2019



Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil e o general Mourão quer entregá-lo à China, uma ditadura expansionista sem remissão. Foi o próprio Delfim Neto - raposa velha que já foi titular das pastas ministeriais do Planejamento, da Agricultura e da Fazenda - que afirmou, durante a era Dilma Rousseff, o seguinte: "Os chineses compraram a África e agora estão comprando o Brasil".



Não se trata de mera retórica do ex-ministro. Nos últimos anos, a China não só comprou e ocupou boa parte do território nacional como fincou suas garras vermelhas nos mais diversos setores da nossa economia, a destacar, além de hidroelétricas e refinarias, empresas automotivas e de transportes pesados, de mineração, siderurgia, gás, petróleo, construção civil e até bancos afinados com o mais refinado capitalismo de Estado, mil vezes mais deletério do que o pior capitalismo selvagem.



No ramo do agronegócio, para plantar soja, milho e outros grãos, os chineses já compraram, desde o alerta de Delfim, a preço de banana, terras em profusão no oeste baiano e num extenso conjunto de áreas do cerrado do Maranhão, Piauí e do Tocantins conhecido pela sigla de "Mapito".



(Ainda na era Dilma Rousseff, se estabeleceu um sombrio acordo entre a China e Brasil, com 25 anos de duração, em que os chineses teriam acesso à pesca em larga escala numa extensa área do nosso mar territorial, com acesso proibido a pesqueiros nacionais - motivo de violento ataque de navio pesqueiro chinês a barco de pesca do Rio Grande do Norte).



No momento, depois de viagem mordomesca à China comunista, temos a falação fervorosa do general Mourão, transformado em reles garoto propaganda dos maravilhosos negócios chinesas. Mourão está de volta ao Brasil cheio de louvores, entre outros, ao projeto da "Nova Rota da Seda", slogan de uma "parceria para a construção de obras de infraestrutura, ampliação e intensificação do comércio mundial". No fundo, do ponto de vista de estratégia política, uma espécie de retaliação aos acordos de cooperação recém assinados entre Bolsonaro e Trump, entre eles o apoio dos EUA à entrada do Brasil no mundo adulto do OCDE.



Como se sabe, o governo chinês, que abriu os cofres rechonchudos para injetar dinheiro grosso na mídia latino-americana, em especial na mídia impressa, objetiva atrair jornalistas, intelectuais e políticos dispostos a propagar full time as benesses miríficas do Império Vermelho.



Nesse rumo, recentemente o ditador Xi alardeou que vai investir bilhões de dólares para interligar portos, ferrovias, estradas, aeroportos e telecomunicações com o objetivo de  importar commodities a preço vil e exportar manufaturados e bugigangas fabricados em cima de trabalho escravo de uma gigantesca população indigente. Naturalmente, para erigir sua megapotência, a condição primeira é inocular o vírus do comunismo maoísta mundo afora - o que ocorre em escala sem precedentes.



Com relação à "nova rota da seda", convém lembrar a experiência da Nicarágua dominada na bruta força pelo guerrilheiro pedófilo Daniel Ortega. O país foi escolhido pela China para, através do testa de ferro Wang Jing, "empresário" do ramo da telecomunicações, construir um canal cortando 273 quilômetros de florestas e montanhas, ligando o Atlântico ao Pacífico, para permitir a passagem de imensas embarcações objetivando o transporte das riquezas chinesas.



Até agora, no entanto, passados cinco anos do anúncio do projeto, envolto em mistério, tudo permanece na estaca zero. Entre especialistas das mandingas chinesas, comenta-se que não há dinheiro para iniciar as obras, avaliadas em 50 bilhões de dólares.  



O fato notório é que economistas, agricultores, ambientalistas e defensores dos direitos humanos se postaram inflexíveis contra a construção do predatório canal, temerosos da destruição da sua fauna e flora, do desemprego e da fome, mas, sobretudo, da desapropriação de suas terras a preço vil ou a preço nenhum. De tal modo que, hoje, a legenda "Vão embora chineses" é a frase corrente exposta nos muros de Manágua e nas estradas do país em pé de guerra.



Por sua vez, Daniel Ortega, ex-assaltante de banco em surda conivência com os chineses, vem sendo considerado um "truhán" (patife) pelo povo nicaragueño.



Outra preocupação de Mourão se manifesta na defesa da empresa de telecomunicação Huawey, tida como um monopólio chinês atuando entre nós na venda de smartphones. O office boy nativo pede "flexibilidade" do governo brasileiro na condução dos negócios diante da "demonização" da empresa monopolista.



Nos EUA, postos em escanteio por determinação do governo americano, os celulares da Huawey tiveram os serviços de atualizações do seu sistema operacional e de aplicativos suspensos pelo Google - o que determinou, por parte dos consumidores, daqui e de lá, a imediata devolução dos aparelhos.



A mídia amestrada e os infiéis da balança desinformam que tudo não passa de "um confronto comercial entre os Estados Unidos e a China, em fase de negociação". Bullshit!



 Na China, basta observar com atenção, as pretensões hegemônicas de dominar o mundo não ficam só em investimentos colossais em mísseis intercontinentais e sofisticadas máquinas de guerra. Elas se voltam de forma avassaladora para o mundo da alta tecnologia e dos modernos aparatos das telecomunicações destinados ao controle total da informação e da percepção humana, objetivando a formatação de um mundo mais policiado do que o descrito por Orwell no  premonitor "1984". Com seus smartfhones e suas câmeras de reconhecimento facial e seus wifi farejadores, empreendidos por empresas como a poderosa Huawey, governos autocratas e partidos totalitários caminham a saltos de canguru para, a exemplo da China, controlar, robotizar e escravizar o ser humano.



Resumo da ópera: ninguém até hoje levou vantagem ou enriqueceu fazendo negócios com a China. Vejam o caso dos países africanos. Eles protestam contra o que chamam "mercantilismo de palitinhos", caracterizado como pura e simples pilhagens dos seus recursos e commodities, em geral lastreadas por contratos obscuros modelados pelos chineses.



Na Zâmbia, tornou-se célebre e ganhou o noticiário internacional o caso de uma mina de carvão em que, devido a manifestações de protesto contra as condições de segurança e baixos salários, dezenas de trabalhadores foram dispersos à bala.



Na vertente militarista, as autoridades do Quênia denunciam que "os chineses operam sem escrúpulos morais e limites éticos". Além de esbulhados na construção de uma ponte, asseguram que a China negocia com qualquer regime, inclusive os opressores, "fornecendo jatos, veículos militares e armas para países belicistas como o Zimbabwe, Sudão e outros". 



A coisa chegou a tal ponto que o próprio diretor-geral da FAO, agência da famigerada ONU para alimentação e agricultura chamou a atenção do mundo para o neocolonialismo chinês no território africano - neocolonialismo tido pelos nativos como "predatório, odioso e animalesco".



Como disse anteriormente, só os chineses ganham com seus negócios predatórios e "parcerias promissoras". Basta olhar em volta e ver a razzia. Só o vosso office boy não sabe disso - ou finge não saber.



     É o fim!