VW VII - O FATOR HUMANO

 

VW - VII - RECURSOS HUMANOS

Jacy de Souza Mendonça



05/03/2019



1982. Um Diretor retornou à Alemanha, houve rotação entre os remanescentes e vagou a Diretoria de Recursos Humanos. Candidato natural era Paulo Dutra, mas estava gerenciando o escritório da empresa em Brasília. Sauer convidou-me para a posição, sem prejuízo da chefia do Jurídico, com o qual não precisava preocupar-me: um excelente grupo, magnificamente motivado e gerenciado era autossuficiente. Na Diretoria de Recursos Humanos havia também ótimo pessoal e trabalho em andamento. Cuidava de salários, benefícios, alimentação, assistência médica, educação, segurança, transporte e lazer, naquela época, para 36.000 funcionários. Minha tarefa era manter o que  era feito e assumir algumas atividades novas.

A primeira coisa que fiz foi atravessar a rua e ir ao gabinete do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, para surpresa dele. Fui dizer-lhe que a finalidade de nosso trabalho era a mesma: o bem dos trabalhadores, embora nos diferenciássemos sob vários aspectos. Ele nunca levou isso em conta, pois continuou motivando o pessoal contra a empresa.

Publiquei uma carta-compromisso aos trabalhadores:

A empresa é um pequeno mundo onde se encontram os interesses dos acionistas, dos administradores e de todos nós que nela trabalhamos. Ela existe, portanto, também para assegurar o bem-estar a todos os seus colaboradores e dependentes, o que só é possível quando todos trabalham com plena consciência da necessidade de fazê-la progredir. Essa identificação com a empresa é tão indispensável como é indispensável e natural a identificação à família e à Pátria.

A preocupação com o bem-estar e a satisfação de todos aqueles que aqui passam a maior parte de seu tempo não se esgota nunca. Nesse sentido, gostaríamos de deixar claros alguns dos nossos objetivos mais específicos, a maioria deles de realização possível com a qualificação e aperfeiçoamento constante do pessoal da empresa. Na Volkswagen trabalhamos visando concretamente:

- garantir ao colaborador de todos os níveis o seu lugar de trabalho, desde que ele mesmo o queira e desde que, por outro lado, dificuldades econômicas insuperáveis não venham a tornar esse compromisso impraticável

- proporcionar aos que trabalham na empresa a expectativa de um futuro sempre melhor, criando oportunidades de carreira que possam ser aproveitadas por todos, conforme a habilitação e de acordo com a avaliação objetiva dos méritos de cada um

- oferecer treinamento constante a todos que desejem qualificação ou dela necessitem para o exercício de suas tarefas ou de outras que estejam ou possam estar à disposição no futuro

- garantir condições humanas de trabalho, remuneração e benefícios ajustados à realidade do mercado de trabalho e à situação econômica da empresa

- proporcionar, um dia, uma aposentadoria condigna a todos.

Em essência, eu queria que todos começassem pela escolinha, fizessem carreira na empresa e se aposentassem com dignidade.

Da escolinha não precisava ocupar-me, pois tinha sido muito bem montada e administrada. As tentativas com um plano de carreira foram frustradas hoje, com o sistema informatizado, teria sido factível. Mesmo assim, pude festejar o fato de alguns funcionários terem começado pela escola e chegado à gerência. O sistema de aposentadoria foi a realização que mais encheu minha alma de felicidade.

Agora, mãos à obra!