VW V - WOLFGANG SAUER

 

SAUER

Jacy de Souza Mendonça



28/02/2019



Havia uma comemoração de formatura dos meninos da escolinha VW-SENAI, que funcionava no prédio da empresa. Percebi, entre os que assistiam à cerimônia, discretamente, de pé, lá no fundo, Wolfgang Sauer. Conclui que ele estava visitando incógnito sua futura empresa, coisa que eu esperava ocorresse desde o momento em que Leiding assumira a presidência mundial. Quase nenhum dos presentes o conhecia naquele momento. Aproximei-me dele e cumprimentei-o pelo fato, ao que ele apenas sorriu. Realmente, pouco depois era anunciado como sucessor de W. P. Schmidt, que retornava para a Alemanha.

Sauer, entre outras muitas qualidades, era um relações públicas nato. Seu diálogo com Presidentes da República, Ministros, Senadores, Deputados e, no plano local, Governadores de Estado, Deputados, Prefeitos, foi sempre natural e facílimo. Utilizou essa arma, seu charme, nos 17 anos de gestão. Desde o início, colocou-me como seu assistente nas relações governamentais, fazendo com que viajasse com ele por todo o Brasil. Eu preparava o roteiro dos assuntos que ele pretendia abordar em cada visita, embora ele nunca tenha aberto meu papel para orientar-se depois dos encontros, redigia a memória do que fora tratado, mas também ignoro o que ele tenha feito com minhas notas. A verdade é que, enquanto mantinha um relacionamento muito próximo com ele, tive oportunidade de conhecer pessoalmente todas as autoridades de nosso País. Divergências também tivemos, como é humano.

Devo-lhe não só a vinda para a Volkswagen como toda a minha carreira na empresa devo-lhe 25 anos do bem-estar financeiro de minha família. Fiquei emocionado pelo fato de ele ter tido a gentileza de enviar para o meu arquivo as anotações a meu respeito que Milton Löff lhe dera, bem como cópia da carta que ele mandara a Leiding e da aprovação de meu nome por este.

A última vez em que o vi foi na noite do lançamento de seu livro, mas infelizmente ele, já cego, não me reconheceu. Depois... só o velório.