VW III - TAUBATÉ

 

TAUBATÉ

Jacy de Souza Mendonça



26/02/2019



Como era de seu estilo, Leiding decidiu, em pouco tempo, duplicar o número de unidades produzidas e triplicar o espaço da fábrica.

Em São Bernardo do Campo, foi comprada uma área lindeira, frente à Via Anchieta, equivalente a mais de duas vezes à então ocupada. A queixa de que se tratava de montanhas foi por ele rebatida: cortem-se o topo dos morros e com a terra removida sejam preenchidos os vales. Assim foi feito. Coube ao Departamento Jurídico examinar a documentação e formalizar essa compra.

Pessoalmente fui encarregado de Taubaté. Havia sido escolhida uma área entre as duas maiores cidades (e mercado) do País, à margem da estrada do Quiririm e nas proximidades da via férrea e da Via Dutra. Era um conjunto de chácaras. Foi necessário ocultar o interesse VW, para evitar a inflação dos preços um corretor reuniu a opção de venda de todos os proprietários da região, uma área bem maior do que a desejada, mas que incluía o que interessava. Em certo momento o nome da pretendente vazou, não se sabe como. Um dos proprietários procurou-me dizendo que, se a área dele fosse incluída na compra, eu ganharia 5% do valor. Anotei e agradeci. Os técnicos da empresa definiram então quais as chácaras que realmente queríamos e eu agendei uma reunião com seus proprietários, incluído o dos 5%. Li as opções que nos interessavam, confirmando o preço e, nesse momento, aquele cidadão reclamou que o valor do imóvel dele tinha sido reduzido, ao que rebati dizendo que ele havia ofertado a redução de 5%... se quisesse desistir da venda, era só sair da sala. Empacou, mas aceitou.

Concluído o projeto arquitetônico, Leiding, então Presidente mundial da empresa, veio ao Brasil e, de helicóptero, foi visitar o local em Taubaté. Um pequeno grupo, do qual participei, recebeu-o, sob a presidência de W. P. Schmidt, que o sucedera no Brasil. Exibida a planta pelos técnicos, ele teve apenas duas observações: perguntou qual a direção predominante dos ventos no local e, informado, mandou girar 45 graus na localização da fábrica. Em seguida sugeriu que, à frente do imóvel, fosse feito um lago para receber as águas servidas, depois de tratadas, para fins de reuso. Sugestão que nunca se concretizou.

A fábrica de Taubaté foi construída e tornou-se operante mais tarde foi dividida em duas metades quando do desfazimento da Autolatina.