A ENGENHARIA SOCIAL EM MARCHA: SEGUNDA SEM CARNE!
 

 

Segunda-feira sem carne: o gatilho mental da engenharia comportamental

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

Depois de um fim de semana em repouso, começa a segunda-feira. Segunda-feira é o dia que resolvemos canalizar nossas energias para colocar em prática um plano.  Nos termos da campanha, Segunda-feira Sem Carne.  “Segunda-feira é mundialmente conhecido como o dia para mudanças, dia para tomarmos decisões, começarmos transformações e novidades. Que tal tentar algo que trará um enorme benefício para todos?!”

A segunda-feira é o dia onde todas as pessoas resolvem começar algum projeto, por exemplo: estudar, fazer dieta ou exercícios, etc., tal dia é um gatilho mental para iniciar mudanças de comportamento. Por isto, é o dia favorito da engenharia comportamental.

O objetivo da Segunda-feira sem Carne é o seguinte: “A Campanha Segunda Sem Carne se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre  os animais, a sociedade, a saúde humana e  o planeta, convidando-as a tirá-los do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores.” [...] A fim de facilitar a adoção deste hábito, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) fornece aqui receitas saborosas, dicas de nutrição, notícias e informações qualificadas a respeito das razões éticas, ambientais e de saúde para passar essa ideia adiante.”

A campanha segunda sem carne quer conscientizar as pessoas, ou melhor, inculcar o modo de vida vegetariano, afirmando que a segunda-feira sem carne é uma medida para melhorar a vida das pessoas, do planeta e dos animais. E o objetivo da Segunda-feira sem Carne não é fazer da segunda-feira o único dia da semana sem carne, mas fazer com que o vegetarianismo se torne hábito, ou seja, o vegetarianismo como norma. E o dispositivo de estímulo para mudança comportamental está na propaganda da Segunda-feira sem Carne, onde consta a participação de diversos grupos e personalidades políticas, intelectuais e artísticas – o próprio Paul McCartney, ex-Beatle, encabeça o negócio na Inglaterra.

“Existente em 35 países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido e apoiada por inúmeros líderes internacionais, a campanha foi lançada em São Paulo em outubro de 2009 numa parceria da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) da prefeitura, posteriormente estendendo-se a várias outras cidades brasileiras.”

E o dispositivo de coibição para mudança comportamental está nas próprias políticas públicas do Estado – o politicamente correto.
“Um dos desdobramentos da adesão ao movimento é a implementação da Alimentação Escolar Vegetariana. Desde 2011, os alunos da rede pública do município de São Paulo têm acesso à refeições 100% livres de produtos animais, trazendo grande impacto positivo.”

O Estado deve assegurar a existência material e cultural da sociedade, garantindo que a Lei seja guardiã da ordem, penalizando física e psicologicamente os violadores. O Estado assegura a existência material e cultural da sociedade, ele não pode fazer com que a Lei opere como engrenagem para fabricar uma nova sociedade. A instrumentalização das leis do Estado para engenharia comportamental, operado por grupos e personalidades que pretendem engenhar uma nova sociedade. Significa perverter/corromper a função do Estado, fazendo com que a sociedade trabalhe para o Estado e não o inverso. Isto é, um grave erro que encaminha os homens à servidão.

O Estado deve se limitar em aplicar as leis para assegurar a existência material e cultural da sociedade como um guardião. Deixando que os indivíduos sejam livres para fazer tudo que não é danoso. Se o Estado resolver controlar todas dimensões das ações humanas querendo intervir até na forma de se vestir, falar e comer - o politicamente correto. Ele acabaria por asfixiar as liberdades individuais, destruindo a ordem orgânica da sociedade. Quando mais o Estado intervém na vida íntima das pessoas, mais oneroso e inoperante é o Estado, e mais difícil é para os indivíduos viverem suas vidas.

Para Karl Mannheim (1893-1947), a perda da liberdade humana não resulta apenas das restrições materiais, mas do crescente intervencionismo estatal para dentro da nossa psique – os mecanismos de engenharia comportamental. Os mecanismos de engenharia comportamental são o conjunto de instrumentos e métodos físicos e psíquicos, meios de ação, capazes de formatar o comportamento humano para cumprir um plano. Aqueles que monopolizarem esses meios de ação detém a capacidade de intervir no rumo da vida das pessoas e de materializar as ideologias.
 
Fontes:

Segunda feira sem-carne  

MANNHEIM Karl, Diagnóstico de Nosso Tempo, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1961

MANNHEIM Karl, Liberdade, poder e Planificação democrática, São Paulo, Mestre Jou, 1971