O INSUSTENTÁVEL DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
 

 

O insustentável Desenvolvimento sustentável

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

Em 22 de abril de 2016 cerca de 170 países assinaram o Acordo de Paris sobre as Alterações climáticas que tem por meta garantir o crescimento com baixas emissões de gases poluentes. Esse acordo segue a lógica proposta pelo documento: “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.  Tal documento foi formulado pela ONU em setembro de 2015, é uma espécie de planejamento estratégico para implementar os princípios da Mãe-terra com base na defesa do Desenvolvimento Sustentável. 

A Agenda 2030 é constituída por 17 Objetivos e 169 metas. No seu preâmbulo diz: “Esta Agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhecemos que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.”  E continua.  “Todos os países e todas as partes interessadas, atuando em parceria colaborativa, implementarão este plano. Estamos decididos a libertar a raça humana da tirania da pobreza e da penúria e a curar e proteger o nosso planeta. Estamos determinados a tomar as medidas ousadas e transformadoras que são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente.”

O desenvolvimento sustentável é uma armadilha que serve para enquadrar todas as dimensões da vida humana em função da Mãe-Terra, a Senhora de tudo.  A mãe-terra é a totalidade, o todo superior, e o homem uma parte que deve se encaixar no ecossistema, mas que vive uma existência errante. O desenvolvimento humano só pode ser compreendido em função da manutenção do ecossistema e não como refinamento material e moral do convívio, ou seja, civilização. O homem deve regredir até se curvar aos animais para servir aos desígnios da Mãe-terra. Isto é desenvolvimento sustentável.

A tradição Ocidental - a concepção de alma judaico-cristã, as ciências, as liberdades individuais, etc. - coloca o homem no centro do mundo, o meio ambiente é pensado como um meio constituído de recursos que o homem deve dominar para usufruir. Mas disto não se deduz que o homem deve ser imprudente no trato com a natureza. A prudência significa: i) devemos agir sem causar danos irreparáveis ii) saber cultivar o que foi herdado iii) ser capaz de deixar um legado positivo para a posteridade.

O homem deve saber usufruir dos recursos ambientais pensando na posteridade, ou seja, nas próximas gerações. E só o homem sabe usufruir de recursos com prudência, só o homem é livre e responsável pelas suas ações. Os animais e plantas não são livres e ainda menos responsáveis. Os animais respondem instintivamente aos estímulos do meio, buscam se adaptar ao meio, só o homem é capaz de transformar o meio ambiente para melhor ou pior.

O desenvolvimento sustentável é sustentável enquanto conceito, se ele colocar a preservação do meio ambiente como um meio para garantir condições sustentáveis para as próximas gerações. O homem deve saber usufruir do meio ambiente pensando na posteridade, nas próximas gerações de seres humanos, e não nos animais e plantas.  É impossível considerar o interesse de todas as criaturas no trato do meio ambiente, porque a danação do ecossistema pode ser benéfica para certos seres e prejudicial para outros – o equilíbrio ecológico e o equilíbrio social não seguem a mesma lógica.  Por isto, se deve privilegiar o ser humano no cálculo de ganhos e perdas.


Fontes:

Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

SANAHUJA, Juan Claudio, El desarrollo sustentable: La nueva ética internacional, Ed. Vórtice, Buenos Aires, 2003