SOBRE COTAS NA USP
 

 

COTAS

Jacy de Souza Mendonça


A Universidade de São Paulo (USP) acaba de anunciar um programa para admissão de estudantes a todos cursos que ministra pretendendo, através do sistema de cotas, em três anos, reservar 50% de suas vagas estudantis exclusivamente para candidatos oriundos de escolas públicas, pretos, pardos e índios.

É óbvio (e comprovei isso no meio século de meu exercício no magistério acadêmico) que tanto as escolas públicas quanto as particulares formam alunos de alto nível a par de outros medíocres e alguns situados até abaixo da mediocridade, como é obvio também que, entre pretos, pardos e índios, há alunos com essa mesma tríplice qualificação.

Como os estudantes, procedentes de escolas públicas ou privadas, sejam brancos, pretos, amarelos ou vermelhos, asseguram-se naturalmente das primeiras vagas no concurso vestibular, indaga-se o que pretendem a administração e o corpo docente da maior Universidade do País com tal projeto:

– impedir que os melhores candidatos ocupem a totalidade das vagas, reservando 50% delas aos medíocres?

– rebaixar a qualidade de seu corpo discente?

– entregar à sociedade brasileira formandos menos capacitados?

– discriminar os alunos em razão de sua procedência curricular ou origem racial?

– revelar que classifica pretos, pardos e índios como inferiores aos brancos?

– ou apenas abandonar a posição elevada que ocupa no ranking universitário brasileiro?

Se as escolas públicas não estão preparando alunos no nível de competência equivalente ao das particulares, a solução deve ser buscada dentro das escolas públicas. Se os pretos, pardos e índios não estão sendo preparados de forma a competirem em pé de igualdade com os brancos, é entre eles que deve ser encontrada a solução do problema.

Enfim, sob todos os aspetos, essa é uma decisão irracional tomada por pessoas de uma instituição que têm ou deveriam ter, como uma de suas qualificações fundamentais, elevado grau de racionalidade.