ESTUDOS SOBRE O PACIFISMO II
 

 

ESTUDOS SOBRE O PACIFISMO

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

II


Pacifismo ou continuação da guerra por meios psicológicos e culturais

O pacifismo fez da paz um importante slogan político dado ao fato de que nenhuma pessoa bem-intencionada é contrária à paz, o que torna o pacifismo uma bandeira capaz de aglutinar os mais diversos interesses, grupos, indivíduos e personalidades da sociedade tendo o poder de colocar os seus críticos na condição de partidários da guerra.

Na contemporaneidade a palavra de ordem dos jihadistas, terroristas, guerrilheiros e tiranos é paz e não guerra para estes porta-vozes da paz o termo paz não significa conciliação e justiça, mas um estratagema de poder que opera como armadilha ou ardil atraente utilizado para apresar os seus inimigos. O pacifismo é esse estratagema ideológico que opera através de campanhas de pacificação pelo desarmamento civil, militar e moral da sociedade, condenando a própria preservação como um ato belicoso e truculento.

O pacifismo é parte ativa da arte da guerra psicológica e cultural que faz da paz um instrumento de autodestruição, capaz de fomentar a renúncia do direito de autopreservação.

É importante ter mente que a segurança, a necessidade de conservação, não se reduz em assegurar a vida material do organismo social ou do Estado diante das armas dos inimigos, a segurança também compreende ser capaz de fazer frente às forças ideológicas que atuam sobre a própria cultura para miná-la até poder destruí-la. Na balança de poder o grau de influência cultural e sua capacidade persuasória é calculada como um elemento de poder junto dos elementos econômicos e militares, por isto que sociedades e civilizações que possuem Estados ricos e com fortes forças armadas podem estar em estado de insegurança dada a vulnerabilidade dos seus flancos culturais, já que o expansionismo opera na atualidade através de mecanismos antes culturais do que econômicos e militares.

A frente de defesa cultural muitas vezes é desprezada pelos estrategistas que se focam apenas nos dados geopolíticos - território, economia e forças militares - se esquecendo que não só o espaço é vital, a cultura também é vital.
A conservação do organismo social, a segurança, não pode ser garantida apenas com as armas do Estado, as armas para operarem necessitam da vontade de lutar ou resistir, por isto que o arsenal mais moderno se torna peso morto quando falta à sociedade o ânimo de lutar por sua conservação. Uma sociedade ou civilização sem poderio territorial, econômico e militar pode compensar às duras penas suas deficiências através da capacidade de resistir aos ataques dos seus inimigos, agora uma civilização ou sociedade com poderio territorial, econômico e militar não conseguirá garantir sua existência se lhe faltar a vontade de resistir aos ataques dos seus inimigos, ou, em outros termos, tem mais valor uma pedra na mão de um anão corajoso do que uma pistola na mão de um gigante covarde. 

O pacifismo é um dos melhores dispositivos expansionistas dos inimigos da democracia e do Ocidente pelo fato de se desenvolver em ambientes democráticos que permitem a crítica do seu próprio regime, garantindo assim para os seus inimigos os mesmos direitos dos seus amigos permitindo um ambiente favorável para a formação de uma contracultura e uma “consciência política crítica” a partir da formulação e difusão de ideias que caracterizam as democracias e o Ocidente como os culpados pelos males do mundo.
Como já ensinou o ideário de Lenin (1870-1924) - onde a guerra está no cerne do pensamento.

“Lenin mostrou como fazer da paz um instrumento de guerra, e os seus sucessores logo perceberam a necessidade de organizar movimentos pacifistas no seio de cada país-alvo e, em seguido, agrupá-los em um movimento pacifista internacional. Para consegui-lo, bastava aproveitar os recursos da democracia, o direito que ela reconhece a todos de criar associações, exprimir opiniões, distribuir panfletos, editar jornais, promover congressos, desfilar nas ruas, abrir conta bancárias, alugar espetáculos e coletar e repartir dinheiro. Eis algumas possibilidades, entre milhares de outras que, seguramente, os regimes totalitários não concedem aos amantes da paz em seus países. ” [AZAMBUJA, 2016, p.182]

Para os partidários da guerra permanente, em especial jihadistas e comunistas, os tratados de paz são um meio tático de se obter vantagens ou de sobreviver ao conflito hoje para lutar com reforços amanhã.  Para os subversivos a paz é a continuação da guerra por meios psicológicos e culturais.

BIBLIOGRAFIA


ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as Nações. Editora UNB. 2002.
AZAMBUJA, Carlos Ilich Santos. A Hidra Vermelha, São Paulo.  2 ª ed. Observatório Latino, 2016.
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SCHMITT, Carl. O conceito do político/Teoria do Partisan. Belo Horizonte, Del Rey, 2008.
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PARTE III