ESTUDOS SOBRE O PACIFISMO I
 

 

ESTUDOS SOBRE O PACIFISMO

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

I

Pacifismo ou Entreguismo

O pacifismo é uma ideologia progressista que difunde a falsa-consciência de que para dar um fim à guerra basta não reagir aos ataques dos seus inimigos que eles irão parar de atacar. A postura pacifista acredita que o entreguismo é uma forma de acabar com a guerra, se esquecendo de que a guerra é um duelo em larga escala onde quem não decide lutar, morre.

O principal e mais influente teórico sobre a guerra, o general prussiano Carl Von Clausewitz (1780-1831), em sua obra Da Guerra define a guerra de modo claro: “A guerra nada mais é do que um duelo em uma escala mais vasta” [CLAUSEWITZ, 2010, p.7]

A guerra como um duelo de vasta escala demonstra que a guerra não é um confronto individual ou competição particular, mas um conflito de extensão publica, um duelo entre coletividades contra seus respectivos inimigos públicos.  Na guerra se utiliza dos mais diversos meios de ação, sendo a violência um desses muitos modos de agir e, por isto que a guerra não pode ser limitada por regras morais ou leis.

A guerra não poupa falsas filantropias e idealismos.

“As almas filantrópicas poderiam então facilmente julgar que existe uma maneira artificial de desarmar e derrotar o adversário sem verter demasiado sangue, e que é para isso que tende a verdadeira arte da guerra. Por mais desejável que isso pareça, é um erro que é preciso eliminar. Num assunto tão perigoso como é a guerra, os erros devido à bondade da alma são precisamente a pior das coisas. (CLAUSEWITZ, 2010, p.8)

A guerra é um tema vital que não pode tolerar falsa filantropia e bondade, principalmente quando elas favorecem o lado do inimigo. “Numa batalha, cada um dos dois campos deseja triunfar eis uma polaridade real, pois a vitória de um exclui a do outro. ” (CLAUSEWITZ, 2010, p.21)

O pensador controverso, Carl Schmitt (1888- 985), em sua obra o Conceito do Político (1933) critica a armadilha do idealismo pacifista e aponta que é um erro crer que a renúncia dos próprios meios de defesa irá causar o desejo voluntário nos outros povos de abrir mão das suas armas, resultando na pacificação definitiva do mundo.  Se um povo abriu mão da sua defesa haverá outro povo que lhe ajudará com isto, assumindo sua direção política, fazendo dele um espólio colonial.

Nos termos de Schmitt: “Seria ingênuo crer que um povo indefeso teria apenas amigos [...] O político não desaparecerá do mundo só porque um povo não possui a força ou a vontade de se manter na esfera do político, O que desaparecerá será tão somente um povo fraco” [SCHMITT, 2009, p.57]
  Uma sociedade ou civilização que renúncia seu direito de autopreservação assina um pacto de servidão voluntária.

Carlos I. Azambuja em sua obra Hidra Vermelha (2016) demonstra como o pacifismo é um discurso progressista pelo qual se travestem muitos inimigos do Ocidente e da democracia. O pacifismo é um Cavalo de Tróia. 

“O desejo de paz torna-se um pretexto para fazer crer que a renúncia à defesa é o melhor meio de evitar a guerra. O pacifista acaba por se sentir o único agressor em potencial e conclui daí que, despojando-se ruidosamente de seus próprios meios de defesa, afastará todo o perigo de guerra no mundo.” [AZAMBUJA, 2016, p.181]

O pensador francês Jean-François Revel (1924-2006) em sua obra Como Terminam as democracias (1983) explica a forma pela qual o pacifismo é utilizado pelos subversivos que manobram os direitos democráticos – liberdade de expressão, organização e crítica – para destruir a própria democracia.

“O desejo de paz torna-se um instrumento de que se serve um dos adversários para levar o outro a acreditar que a renúncia à defesa é o melhor meio de evitar a guerra. O pacifista é aquele que acaba por se julgar como o único agressor em potencial, concluindo daí que, ao se despojar com ostentação dos seus próprios meios de defesa evitará todo perigo de guerra no mundo.” [REVEL, 1984, p.160]

Essa poderosa arma ideológica, o pacifismo, abre flancos na cultura para a sua subversão, paralisando a vontade de combater e resistir da sociedade. Para o pacifista a guerra não é feita por aquele que invade um território ou rompe com a Lei local, mas por aqueles que reagem aos ataques do seu inimigo. Em suma, se não houver reação não haverá guerra. 

Um dos maiores inimigos da paz é o pacifismo que consegue romper com a vontade de resistir de um povo apelando para a postura entreguista diante do inimigo, fazendo da paz um engodo mortal.

BIBLIOGRAFIA:

ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as Nações. Editora UNB. 2002.
AZAMBUJA, Carlos Ilich Santos. A Hidra Vermelha, São Paulo.  2 ª ed. Observatório Latino, 2016.
BRUCKNER, Pascal. A Tirania da penitência: ensaio sobre o masoquismo ocidental. Rio de Janeiro, DIFEL, 2008.
REVEL, Jean-François. Como terminam as democracias. São Paulo, DIFEL, 1984.
CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. São Paulo, 3 ed. Editora Martins fontes, 2010.
FERREIRA, Oliveiros S. Forças Armadas para quê?  Versão Ebooksbrasil, 2004.
FERREIRA, Oliveiros S. Os 45 cavaleiros húngaros, São Paulo-Brasília. Hucitec ed.UnB, 1986.
SCHMITT, Carl. O conceito do político/Teoria do Partisan. Belo Horizonte, Del Rey, 2008.
TSÉ-TUNG, Mao. Livro Vermelho., São Paulo, Folha de São Paulo, 2010.

PARTE II