TRUMP E O PATRIOTISMO AMERICANO
 

 

 Os patriotas não tolerarão abuso das leis Americanas

Melanie Phillips

THE TIMES

15/05/2017

Os eleitores Trump estão liderando uma reação contra as "cidades-santuário" que abrigam imigrantes ilegais

Na reunião mensal dos Redlands Tea Party Patriots na Califórnia, as pessoas estão vestindo as estrelas e listras (Stars and Stripes) em chapéus, camisetas, laços e brincos. No Conservative Forum of Silicon Valley (sim, existe realmente um), uma mulher tem lentes de contato com estrelas e listras. Em Oklahoma eles estão ansiosos porque os valores fundamentais da América estão sendo minados. Em Iowa, eles estão se preocupando com o fato de que os alunos não estão sendo ensinados sobre a Constituição. Em Minnesota, eles estão horrorizados com as propostas para construir mega-mesquitas e impor práticas islâmicas em escolas financiadas pelo Estado.

Escusado será dizer que essas pessoas votaram em Donald Trump.

Eu tenho encontrado seus apoiadores (e oponentes) em cidades ao redor dos EUA. Apesar - ou talvez por causa - do constante alvoroço sobre os feitos e ditos de seu presidente, aqueles que votaram nele continuam sendo seus partidários apaixonados. Em sua opinião, Trump está se saindo muito bem. Quanto mais ele é atacado, mais se sentem vingados por elegê-lo.

A razão é que eles consideram os inimigos do Presidente como seus próprios inimigos. Eles acham que a América tem sido minada há anos por pessoas que corroeram os princípios subjacentes à sua identidade, como o rule of law (Estado de Direito). O presidente Trump, eles acreditam, está lá para defendê-los.

Como evidência, eles apontam para o fato de que desde sua posse o fluxo de imigrantes ilegais tem diminuído a ponto de se tornar um gota a gota. Em seu encontro os Redlands tea-partiers fazem discursos furiosos e portam cartazes contra políticos locais que dizem que estão minando as tentativas do presidente de fazer cumprir a lei contra os imigrantes ilegais.

Estão particularmente enfurecidos pelas "cidades-santuário". Este é o nome dado a lugares como San Francisco que se recusam a cooperar com os pedidos do Immigration and Customs Enforcement de deter imigrantes ilegais suspeitos sem autorização.

Os apoiadores de Trump dizem que as pessoas estão sendo regularmente atacadas por imigrantes ilegais que são tratados com impunidade. Em vez de serem presos, eles são libertados e voltam para a comunidade onde há exemplos deles atacando ou assassinando novamente.

Eles também estão com raiva da falha em punir os manifestantes violentos. Em Minnesota, as pessoas dizem que quando os manifestantes mascarados violentamente interromperam manifestações pró-Trump a polícia se recusou a apresentar qualquer acusação e que muitas vezes, nestas cidades, a polícia é ordenada a não aplicar a lei quando tais manifestações se tornam violentas.

Aqueles contra a imigração ilegal são ridicularizados como rednecks e fanáticos racistas. No entanto, o que os enfurece é simplesmente a institucionalização generalizada da ilegalidade e da violência. Eles estão tentando promover a adesão à Constituição, ao Estado de Direito e à própria democracia. E eles acreditam que os democratas, os meios de comunicação e até mesmo alguns republicanos que ignoram ou tacitamente toleram tal ilegalidade e supressão da liberdade de expressão, estão minando a América.

Seu ponto de vista é certamente razoável. As cidades-santuário atacam a própria base da cidadania. Como condição de pertencer a uma nação um indivíduo assume certos deveres, como obedecer ao Estado de direito e pagar impostos, em troca de benefícios de ser protegido pela polícia ou pelas forças armadas. A tolerância da imigração clandestina ridiculariza essa reciprocidade cívica e, assim, mina a própria base da nação.

As cidades-santuário, agora ao redor de 60, começaram nos anos 80 sob o presidente Ronald Reagan. Uma decisão anterior de que elas eram ilegais foi derrubada pelos tribunais e elas foram sobrevivendo aos argumentos legais desde então.

Em janeiro passado, o presidente Trump assinou uma ordem ameaçando retirar seu financiamento. Os tribunais decidiram contra isso com base no fato de que o presidente não pode anular a política de um estado individual sobre esta questão, e tal ordem não tem força a menos que seja promulgada pelo Congresso.

O estado do Texas, no entanto, aderiu ao espírito da ordem de Trump. Recentemente, seu governador republicano, Greg Abbott, assinou uma lei que dá a cada policial a opção de verificar o status de imigração de qualquer pessoa que legalmente detenha. Além disso, punirá autoridades locais que não detenham imigrantes para que os agentes federais de imigração possam deportá-los.

A iniciativa do Texas - que é controversa entre seus próprios chefes de polícia, que acreditam que deter imigrantes sem documentos os impede de usá-los para cooperar na detecção de crimes - é um exemplo raro de um Estado decidir que a indiferença à ilegalidade é errada.

A tolerância generalizada da imigração ilegal e a recusa em tomar medidas apropriadas contra a violência têm, no entanto, produzido uma tendência mais alarmante no discurso público: o discurso cada vez mais comum de guerra civil. Em Redlands, um homem disse acreditar que os ataques da esquerda precisavam de uma resposta armada. Ele e sua família estavam muito assustados de ir às manifestações por causa do perigo de serem atacados, e acreditava que deveria ir armado para tais eventos. Também não havia, disse ele, possibilidade de justiça ou de fazer valer o direito constitucional à liberdade de expressão, porque muitos juízes são Democratas.

Este chocante flerte com a ideia de violência civil deriva da crença desesperadora de que as instituições do Estado não mais defendem a Constituição e o Estado de Direito. Essas pessoas estão depositando todas as suas esperanças no Presidente Trump para restabelecer os principais princípios americanos.

Ele talvez não possa fazer tudo que prometeu. Nesse caso, esta última frente nas guerras culturais da América pode se tornar ainda mais feia.

Tradução: Heitor De Paola