MUÇULMANA DE NIQAB NA TV ALEMÃ DESPERTA POLÊMICA
 

 


Palco para o Islamismo ou necessidade de esclarecer o que é o Islam?

Frankfurter Allgemeine Zeitung

07 de novembro de 2016

 Norddeutscher Rundfunk [1]se defende contra as acusações após cenas desagradáveis de radical muçulmana no talkshow Anne Will, onde ela defendeu o islamismo apontando-o como uma plataforma justa e necessária.

Após duras críticas a respeito das cenas desagradáveis de uma muçulmana completamente coberta no programa talkshow “Anne Will”, a emissora defendeu a mulher. Eles tomaram o cuidado de partilhar da mesma resposta da redatora Juliane von Schewerin, nesta segunda-feira.

No centro da confusão está Nora Illi, de 32 anos, da Central Islâmica da Suíça ou  IZRS [2], a qual apareceu num domingo à noite, vestida com um niqab e apenas seus olhos podiam ser vistos pelos telespectadores do programa. O deputado do CDU, Wolfgang Bosbach e o escritor Ahmad Mansour acusaram-na, durante o talkshow, de enaltecer a guerra na Síria. A apresentadora do programa, Anne Will, repreendeu ambos os convidados, quando a convidada fez amplamente referências ao Islam radical durante a transmissão e o apontou como uma plataforma justa e necessária.
 

Em relação ao fato ocorrido, a NDR se defendeu: “A postura polêmica da Srª Illi em relação ao à problemática da saída para o exterior de jovens vindos da Síria está claramente fundamentada e foi acirradamente debatida”. E ainda: “As afirmações alegadas em torno do debate, foram conduzidas de forma apropriada”.
 

Nessa segunda-feira, o Secretário Geral do CDU, Peter Tauber criticou a cena:

“Quando uma mulher usando niqab aparece num programa de televisão de uma grande empresa de comunicação e se apresenta abertamente como uma representante das mulheres, vem-me uma certa preocupação de que em breve, a TV alemã, irá dizer que o Sr. Assad é um representante dos direitos humanos”.
 

“Eu acho bizarro quando uma mulher apresenta o Islam radical como um tipo de plataforma justa e necessária”, disse o deputado federal do CDU, Sebastian Steineke, durante a manhã em seu Twitter. Anteriormente, a ministra da Integração de Baden-Wüttemberg, Bilkay Öney do SPD comentou:

“Consentimento, provocação e circunstancial. Amanhã todos falarão a respeito. Momentos de crise na mídia levam a mostrarem exageros num talkshow...”.
 

De jeito nenhum, o IZRS é uma espécie de  organização guarda-chuva [3] para os aproximadamente 400 mil muçulmanos que moram na Suíça, como o nome patético podereia sugerir. Trata-se muito mais do que uma associação radical islâmica, que é vigiada pelo serviço secreto e uma das principais correntes muçulmanas que deve ser evitada.
 

No decorrer de 2009, os debates na Suíça sobre a proibição da construção de  minaretes [4], cresceu surpreendentemente e foi o ano da fundação do IZRS com aproximadamente 300 pessoas. A maioria dos participantes são suíços. O filósofo  genebrino [5] Tarik Ramadan fala sobre o “Sectarismo sem Base’’.
 

Nora Illi é mãe de 4 filhos e vive em Bümpliz, um bairro multicultural da cidade de Berna. É filha de um psicoterapeuta da Alemanha e uma pedadoga. Quando jovem, abandonou o cenário punk e foi batizada na fé católica e mais tarde se converteu ao budismo. Durante férias passadas com seu pai, (seus pais eram separados), foi convertida aos islamismo por um sacerdote, em Dubai. Ela tinha apenas 17 anos.

NOTAS DO TTRADUTOR:
 
[1] Norddeutscher Rundfunk.  Empresa pública de rádio e televisão situada em Hamburgo.
[2] Islamischen Zentralrat der Schweiz.
[3] Associação de organizações que trabalham unidas para coordenar atividades ou reunir recursos.
[4] Torre de uma mesquita muçulmana.
[5] Nascido em Genebra, cidade da Suíça.

Tradução: Márcio Alexandre