PTCRACIA – A REPAGINAÇÃO DOS MOVIMENTOS GUERRILHEIROS
 
Abel Faria da Costa
 
 
Houve um tempo em que a sociedade que habita este planeta era classificada conforme os regimes predominantes nas nações soberanas e colônias dependentes, sendo uma parte denominada Primeiro Mundo e composto pelas democracias reinantes na Europa Ocidental e América do Norte, incluindo-se nesse grupo o Japão, outra parte denominada de Cortina de Ferro, composto basicamente pelas repúblicas da Europa Oriental e mais algumas da América Central, sendo a terceira e última parte denominada Terceiro Mundo, composto basicamente pelas repúblicas existentes da América do Sul, África e Ásia, exceto o Japão.
A evolução social foi modificando esse quadro, principalmente pela diferença de padrão de vida entre os povos da Europa, onde os habitantes do lado ocidental ostentavam liberdade e progresso, enquanto seus irmãos do lado oriental viviam em condições precárias e sob a vigilância constante de soldados armados a lhes mostrar o que podiam e não podiam fazer, principalmente o que não podiam fazer.
Surge então nesse contexto uma liderança incontestável, um simples operário de um estaleiro polonês e põe em xeque o poder de sua república socialista, mantém a luta desarmada por direitos sociais e trabalhistas e, depois de muita negociação e pressão do Comitê Central do Partido Comunista local, vence a queda de braço por direitos individuais e se torna um líder mundial, chegando ao posto de Presidente.
Deve ser salientado que esse líder inconteste não tinha barba e sim bigode, tinha todos os dedos, pois apesar de ser operário de estaleiro, cumpria as determinações de segurança estabelecidas, durante seu mandato nenhum filho usou aeronaves militares para passeios com amigos, não mandou colocar símbolo partidário na frente do palácio de governo, nunca teve um filho negociando com empresas do governo para tirar proveito pessoal e enfim, saiu da vida pública sem ter aumentado seu mandato e sem multiplicar seu patrimônio sem justificativa plausível. Esse foi Lech Walesa, o 17º presidente polonês que governou de 23 de dezembro de 1990 a 23 de dezembro de 1995.
A evolução social no chamado Terceiro Mundo foi bem diferente, tendo começado mais cedo e pautado suas ações por lutas armadas contra os poderes então constituídos, executando ações de caráter terrorista como atentados a bomba e roubos armados, tendo nessas escaramuças perdido muitos elementos e causado diversas mortes de cidadãos inocentes.
Como esse processo não evoluiu favoravelmente em nenhuma república sulamericana, seus adeptos brasileiros vendo o sucesso da luta de Lech Walesa, resolvem aplicar o mesmo esquema em nosso país varonil e buscam um líder operário que se pareça com o polonês, montam piquetes nas portas das fábricas do ABC paulista e montam a base do novo esquema de poder que vislumbrar aplicar aqui com a chegada ao poder.
Neste momento o líder polonês já era esquecido, pois ele não tinha ambições políticas para estabelecer um novo regime e sim lutar por direitos trabalhistas, enquanto no esquema brasileiro o objetivo era o estabelecimento de um novo regime de poder, onde seus componentes deveriam ocupar todos os escalões intermediários das empresas através de elementos infiltrados pelos sindicatos e estes desenvolveriam superestruturas denominadas Centrais Sindicais, voltadas para aglutinar elementos oriundos dos antigos grupos paramilitares que atuaram durante o regime militar.
O grande poder de negociação obtido com a criação das Centrais Sindicais, funcionou como elemento de coação e assim, petroleiros, bancários e caminhoneiros tinham o poder suficiente de paralisar o país, caso suas reivindicações não fossem atendidas.
A base do poder estabelecido nesse esquema previa que as Centrais Sindicais impusessem nas assembléias de empregados, que todo benefício deveria ser carreado para a organização que fora criada para assumir o poder e que esse poder seria alcançado com a obtenção de vultosos recursos financeiros, de modo que além do Imposto Sindical e da Mensalidade Sindical, os “petralhas” estabeleceram mais fontes de recursos tirados dos contracheques dos pobres empregados, que agora sem poder reagir contribuíam com Contribuições Assistenciais e Contribuições Confederativas, cujos montantes eram carreados para o financiamento de campanha políticas dos candidatos petistas escolhidos pelo Comitê de Petralhas, comandado com mãos de ferro por José Dirceu.
Nada poderia ser deixado de lado e todos deveriam contribuir para que o esquema tivesse êxito e, uma vez alcançado o poder, este não deveria ser devolvido, devendo permanecer em rodízio entre os petralhas do alto escalão, primeiro utilizando o carisma de nosso operário que chegou ao poder e depois com outros elementos escolhidos entre eles, dos quais a mais nova escolha é a petralha Dilma Rousseff.
Pela primeira vez na história tivemos uma agremiação partidária cobrando mensalidades de seus seguidores e esse esquema, depauperando as finanças de seus pupilos, lhes aguçou o sentimento de forra e assim, tendo que pagar o dízimo para o partido, os petralhas ao chegarem ao poder, passaram a cobrar suas propinas em contratos e concorrências, visando recompor suas finanças pessoais e, desta forma, desenvolveram mega esquemas onde o dinheiro circula em meias, malas, cuecas e outros meios de condução, compravam-se partidos para obtenção de votações de interesse petralha e faziam a alegria da patuléia lhes dando uma esmola de R$ 150,00 em nome de uma Bolsa Família.
A concepção do esquema é perfeita e as fontes de  recursos são inesgotáveis como agora, chegando a hora da eleição, o governo petralha resolve comprar 36 caças Rafalle franceses pela bagatela de US$162.000.000,00 unitários, quando a Índia negocia a compra dos mesmos aparelhos por apenas US$80.000.000,00, ou seja pela metade do preço. Podemos garantir que tão logo nosso presidente dê a palavra final, escolhendo o caça francês, o presidente francês e sua linda esposa virão pessoalmente trazer umas malas com a diferença entre os preços citados para ajudar na campanha de nossa candidata ex-guerrilheira e autora de curriculum com dados não verídicos.
Sem dúvida alguma teremos uma presidente a altura da república sulamericana que mais cresce no continente e o sistema PTCRACIA não necessita mais de operar em luta armada, não mata nem seqüestra ninguém, apenas se apodera dos recursos públicos que lhe foram confiados pelo povo que recebe esmola mensal para perpetuar o esquema e saudar seu operário que chegou ao poder.
Imaginam a vergonha que Lech Walesa vem passando por se sentir culpado pelo fato de servir de exemplo para esse esquema aqui aplicado?